Palestinos rejeitam proposta que exclui Arafat de eleição

Os palestinos rejeitaram uma proposta norte-americana para que o Parlamento escolha um primeiro-ministro que possa dividir o poder com Yasser Arafat - e um líder do alto escalão palestino disse nesta sexta-feira que um profundo desentendimento com Washington poderá ameaçar as eleições palestinas previstas para janeiro. Enquanto isso, na Faixa de Gaza, soldados israelenses mataram nesta sexta-feira dois palestinos que tentavam entrar num assentamento judaico, ressaltando a fragilidade de um plano para reduzir as tensões na área. A Casa Branca vem tentando excluir Arafat - a quem acusa de provocar a violência que tirou dos trilhos o processo de paz no Oriente Médio - e pede eleições como parte dos esforços para convencer a Autoridade Palestina a realizar reformas em sua base. Porém, Arafat, que ainda é muito popular entre seu povo, seria provavelmente reeleito numa votação aberta. Como alternativa ao líder palestino de 73 anos, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, e a conselheira de Segurança Nacional Condoleezza Rice - num encontro com representantes palestinos em Washington há duas semanas - propuseram que o Parlamento palestino escolha um primeiro-ministro, revelou hoje o secretário de gabinete palestino Saeb Erekat. Num documento enviado a uma força-tarefa internacional estabelecida em Paris para a realização de reformas na Autoridade Palestina, a entidade informou que não concorda com mudanças no sistema eleitoral utilizado pelos palestinos em 1996, e que confirmou Arafat como seu líder. "Nós dissemos a eles (os Estados Unidos) que isto não é da conta deles", afirmou Erekat. "Ficamos chocados durante as discussões quando o lado norte-americano falou sobre mudarmos as leis eleitorais." Segundo ele, os Estados Unidos estão tentando adiar o pleito. Uma fonte norte-americana recusou-se a confirmar as discordâncias referentes ao processo eleitoral palestino. Raanan Gissin, um assessor do primeiro-ministro Ariel Sharon, de Israel, confirmou que os Estados Unidos propuseram que o Parlamento escolha um premier como forma de excluir o atual líder palestino. "Eles (os palestinos) rejeitaram", disse Gissin. "Uma eleição nos moldes atuais apenas garantirá as mesmas pessoas no poder e o mesmo reino de terror será restabelecido." Hoje, na Faixa de Gaza, três palestinos armados disfarçados de soldados israelenses tentaram entrar num assentamento judaico. Segundo o Exército, soldados mataram dois deles. As Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, ligadas ao movimento político Fatah, de Arafat, assumiram a autoria do ataque frustrado. A violência ofuscou um acordo que passou para os palestinos a responsabilidade pela segurança em Gaza, como parte de um teste para amenizar as rígidas restrições impostas por Israel na Cisjordânia. Pelo acordo, Israel também transferiu aos palestinos a responsabilidade pela segurança na cidade cisjordaniana de Belém. Tel Aviv garante que, se os palestinos controlarem a situação na Faixa de Gaza e em Belém, amenizará as restrições em outras partes da Cisjordânia, onde soldados israelenses ainda controlam seis das oito grandes cidades palestinas.

Agencia Estado,

23 Agosto 2002 | 18h36

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