Palestinos reviram escombros em busca de pertences

Homens, mulheres e crianças - alguns com a ajuda de pás e outros com as próprias mãos - percorreram hoje o devastado campo de refugiados palestinos de Jenin, na tentativa de recuperar aparelhos de televisão, fotografias e tudo o mais que conseguissem.De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a ofensiva militar israelense no local provocou um verdadeiro desastre humanitário. Até agora, grupos internacionais de ajuda e pessoal médico recolheram 43 corpos dos escombros de Jenin. Deste total, 11 eram jovens em seus 20 anos, seis eram mulheres, crianças e velhos e o restante eram homens cuja idade não pôde ser calculada.Segundo as pessoas envolvidas nos trabalhos humanitários em Jenin, uma grande operação deverá ser montada para dar conta da remoção de mais cadáveres e da assistência médica necessária às famílias que perderam casas e foram atingidas nos violentos ataques.Há também o perigo de que doenças se espalhem devido ao lixo acumulado e à putrefação dos cadáveres deixados para trás pelas tropas do Estado judeu.De acordo com os palestinos, centenas de pessoas, civis em sua maioria, morreram durante a incursão militar israelense no campo de refugiados. Israel, por sua vez, garante que matou "apenas algumas dezenas" de palestinos, a maioria militantes. A destruição teria sido causada por buldôzeres D-9, que antes de derrubar muros e casas esperavam, segundo militares israelenses, para que os habitantes fugissem dos alvos.A agência da ONU responsável pelos refugiados começou hoje a estudar uma lista dos 14 mil residentes do campo de refugiados de Jenin e a entrevistar famílias para determinar seu futuro. "Não acuso ninguém de massacre", disse o enviado da ONU ao Oriente Médio, Terje Roed-Larsen, nesta sexta-feira, um dia depois de ter visitado o campo. "Mas o que eu vi ontem foi extremamente horripilante: uma destruição maciça e um mau cheiro insuportável... Vimos crianças procurando pelos pais. Vimos pais irmãos e irmãs vasculhando os destroços para tentar encontrar os cadáveres de seus entes queridos."Roed-Larsen disse que Israel deve ser responsabilizado pela maioria do sofrimento, porque seus militares não abriram o campo para a passagem de médicos e ambulâncias depois das batalhas. Por sua vez, Israel diz que o local estava vazio de civis e era inseguro.Durante os primeiros dias do conflito, que terminou em 11 de abril, soldados atacaram casa por casa à procura de homens armados, e helicópteros bombardeavam supostos esconderijos de militantes palestinos. Israel negou que tenha intensificado seus ataques depois que 13 de seus soldados morreram em uma emboscada de militantes palestinos dentro do campo, ocorrida em 9 de abril.Hoje, dois times de especialistas em desastres da Cruz Vermelha Internacional e da ONU estavam preparando um relatório inicial para determinar o tamanho da ajuda necessária aos refugiados de Jenin. Na próxima quarta-feira, uma conferência de doadores será realizada em Oslo para levantar dinheiro para os palestinos.

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