Palestinos são presos após confronto em Jerusalém

A polícia de Israel prendeu cerca de 15 palestinos nas proximidades da Cidade Antiga de Jerusalém em um novo dia de confrontos nesta sexta-feira, quando acontecem as tradicionais orações muçulmanas perto das obras realizadas em local sagrado.A polícia israelense isolou toda a região próxima à Mesquita de al-Aqsa desde o amanhecer com uma operação que contou com cerca de 3.000 agentes, que impediram o acesso a homens com menos de 50 anos e mulheres com menos de 40 anos.Quatro dos detidos, disseram fontes policiais, enfrentaram os agentes em diferentes portas da localidade com o intuito de forçar a sua entrada para a celebração religiosa.Os demais, afirmaram, são seguidores do polêmico xeque Raed Salah, líder da facção norte do Movimento Islâmico de Israel, e que hoje não conseguiu entrar na esplanada por causa de uma ordem da Justiça.Salah, conhecido por seus polêmicos discursos e sermões, convocou um protesto em uma área de Jerusalém Oriental, a centenas de metros das muralhas de Jerusalém.Ali, após rezar com centenas de fiéis, proferiu um sermão contra Israel no qual apoiou uma nova Intifada."Jerusalém é a capital do Islã", "libertem Jerusalém" e "uma nova Intifada islâmica", foram algumas das palavras de ordem do líder religioso."Querem construir seu templo quando nosso sangue impregna suas roupas, suas portas, sua comida e sua bebida. A história israelense está banhada de nosso sangue. Nosso sangue passa de um general terrorista para outro geral terrorista", declarou o xeque.E citando ao líder ideológico do Hamas, Ahmed Yassin, executado por Israel com um míssil em março de 2004, afirmou: "O forte não será sempre forte, assim como o fraco".Logo depois, dezenas de fiéis começaram a lançar pedras contra a polícia, que reprimiu os protestos com cavalos, tiros de borracha e jatos de água.Salah também disse que os tribunais israelenses, que o impedem de ficar a menos de 150 metros das muralhas da cidadela, não podem decidir nada em relação a al-Aqsa. "Entrarei lá quando considerar oportuno", concluiu.O delegado de Jerusalém, Ilan Franco, disse que, apesar dos distúrbios de hoje, sua intensidade foi muito inferior à dos que aconteceram na última sexta, quando 70 pessoas foram detidas e a polícia israelense entrou na Esplanada das mesquitas, o que não aconteceu agora."Nesta semana houve uma diminuição no número e na intensidade dos protestos pela construção da rampa no Portão Mugrabi", afirmou Franco, que explicou que estudará a situação nos próximos dias para ver se na próxima sexta também será necessária uma operação policial como a de hoje.Os protestos dos palestinos e do mundo árabe começaram há dez dias, quando Israel iniciou obras de construção de uma nova rampa de acesso à Esplanada das Mesquitas, local conhecido como Monte do Templo pelos judeus.Os palestinos temem que a rampa seja uma tentativa de Israel de danificar a Mesquita de al-Aqsa, considerada pelos muçulmanos o terceiro lugar mais sagrado do mundo, depois de Meca e Medina.Nos últimos dias os planos de construção foram interrompidos peloprefeito da cidade, o ultra-ortodoxo Uri Lupoliansky, enquanto, ontem, durante uma visita à Turquia, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, aceitou que uma delegação técnica deste país revise no terreno os planos de construção.Seguindo o exemplo de Olmert, Lupoliansky convidou nesta sexta-feira o diretor do Wakf (Comitê Superior Islâmico) de Jerusalém, Adnan al-Hosseini, a lhe visitar para estudar de perto o projeto e verificar que não há nenhuma ameaça à mesquita.A polêmica rampa consta de uma ponte erguida sobre oito pilares que vai de um dos extremos do Muro das Lamentações até o Portão Mugrabi, junto a Al-Aqsa, do lado de fora da esplanada.Há três anos, a rampa que havia no local foi seriamente danificada por um terremoto. Desde então, o acesso tem sido feito através de uma ponte de madeira, a qual as autoridades querem substituir por uma permanente, de concreto.Apesar de os trabalhos de construção terem sido interrompidos para acalmar os ânimos no mundo árabe, as escavações arqueológicas no local continuam.

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