Palestinos sepultam garoto de 11 anos

Militantes palestinos lançaram mais de 60 granadas e dispararam com armas automáticas contra postos militares de Israel em Rafah - cidade situada na Faixa de Gaza, nas proximidades da fronteira com o Egito -, informou o Exército judeu. Os soldados israelenses retaliaram com disparos. Também em Rafah, os palestinos sepultaram Khalil Ibrahim al-Mugrabi, um garoto de 11 anos que ontem foi baleado na cabeça nas proximidades de uma área onde militantes palestinos e soldados israelenses trocaram tiros. Antes do enterro, o caixão com o corpo do menino foi levado à casa de sua família, no campo de refugiados de Rafah, onde sua mãe sussurrou: "Meu jovem filho, não me deixe e se vá sozinho." Ela desmaiou em seguida. No cemitério, as pessoas que acompanhavam a cerimônia fúnebre exigiam vingança. Tiros foram disparados para o ar em homenagem à criança. Um homem mascarado disse à multidão que o grupo islâmico Hamas tem mais 10 militantes suicidas prontos para agir em Israel. O Hamas assumiu responsabilidade por uma série de atentados durante o atual conflito no Oriente Médio. Testemunhas palestinas contaram que al-Mugrabi e outras duas crianças foram baleadas por soldados israelenses posicionados em um posto de observação a 350 metros do local onde os meninos brincavam. O Exército de Israel ainda não se manifestou sobre o assassinato do garoto. Também hoje, dois palestinos foram baleados quando não conseguiram parar em um posto de checagem do Exército em Khan Yunis, também na Faixa de Gaza, disseram fontes médicas. De acordo com o hospital, os ferimentos eram moderados. Na cidade cisjordaniana de Hebron, um ativista do Hamas foi retirado à força de seu veículo quando passeava com sua família. Sua esposa acusou as forças de segurança israelenses pelo rapto. Ayoub Sharawi, um proeminente líder do Hamas em Hebron, dirigia seu carro quando foi fechado por um veículo preto, contou sua esposa, Sadiyeh. Três homens em trajes civis saíram do carro e mandaram ele deixar seu veículo, prosseguiu ela. Sharawi segurou no volante enquanto os homens tentavam tirá-lo do carro à força. Sua esposa se abraçou a ele enquanto os três filhos do casal gritavam no banco de trás. Os três homens quebraram a janela dianteira do carro, espancaram Sharawi e o levaram, relatou Sadiyeh. Ainda de acordo com ela, Sharawi, de 38 anos, tem duas passagens pelas prisões israelenses e é possível que Israel estivesse atrás dele. Mas as forças de segurança israelenses não se declararam sobre o assunto até o momento. Israel vem prometendo ir em frente com uma campanha de assassinatos seletivos de militantes palestinos, a não ser que a Autoridade Palestina tome alguma providência. Em meio a episódios esporádicos de violência na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, uma mulher israelense ficou moderadamente ferida quando o ônibus no qual ela viajava foi atacado nas proximidades de um assentamento judaico ao norte de Jerusalém, informou o Exército. Outro israelense ficou levemente ferido quando o carro no qual viajava foi apedrejado e ele perdeu o controle do veículo, prosseguiu o Exército. Palestinos disseram ainda que soldados israelenses expulsaram famílias de uma casa em Ramallah, na Cisjordânia. O Exército alegou que atiradores palestinos estavam disparando das proximidades nos últimos dias. De acordo com os palestinos, sete moradores ficaram feridos quando soldados israelenses utilizaram gás lacrimogêneo e espancaram os residentes. Uma fonte do Exército de Israel disse, sob condição de anonimato, que o Exército "ocupou um apartamento vazio no prédio e os soldados utilizaram equipamento de dispersão para afastar uma multidão que tentou entrar na casa depois de ela ter sido ocupada". Em Nablus, na Cisjordânia, uma corte palestina condenou Thaer Jaber, de 21 anos, à prisão perpétua com trabalhos árduos por sua participação ao lado de Israel para orquestrar o assassinato de dois palestinos.

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