Panamá concede asilo a cubano que não chegou à praia

O Panamá se dispôs nesta quarta-feira a conceder asilo político ao cubano Jorge Parrado, capturado pela Guarda Costeira americana nas águas do extremo sul da Flórida. Parrado fazia parte de um grupo de quatro balseiros cubanos que se jogaram ao mar nesta terça-feira e nadaram por várias horas para evitar a captura pelas autoridades dos EUA.Os três companheiros dele conseguiram tocar o soloamericano e, pelas normas da chamada "lei do pé seco", devem receber asilo automático dos EUA. Parrado, no entanto, deveria ser repatriado para Cuba, de acordo com os acordos bilateraissobre migração firmados nos últimos anos por Havana e Washington.Mas a organização conservadora Judicial Watchapresentou uma solicitação de asilo político para Parrado ao governo do Panamá. "Recebemos um pedido da Judicial Watch que foiencaminhada à presidente do Panamá, Mireya Moscoso, e ao Ministério de Relações Exteriores", informou o cônsul-geral panamenho em Miami, Manuel Cohen.Segundo Ryan Doss, porta-voz da Guarda Costeira, um avião detectou o grupo de cubanos num pequeno bote de madeira. Quando barcos americanos chegaram ao local, os cubanos ameaçaramas autoridades com facas e remos. Os cubanos se lançaram ao mar, mas Parrado se cansou e aceitou subir num barco dos EUA.O pai dele, Andrés Parrado, declarou que seu filho saiu de Caibarién, no noroeste de Cuba, na segunda-feira, e que tinha vivido nos EUA sete anos, mas teve de cumprir uma condenação nailha. "Foi capturado (pelas autoridades cubanas) porque o barco em que estava pescando ficou à deriva perto de Cuba. Eles o pegaram, e meu filho ficou 12 anos preso", disse.Enquanto isso, parentes dos cubanos que completaram a jornada, Javier e Alfredo Morales Molina, de 27 e 29 anos, comemoravam a chegada deles. "Estamos muito felizes, muitocontentes de que estejam aqui", disse Mayra Pinha, madrasta dos Morales, que vive na Flórida.

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