Panamenhos temem acordos com EUA

Dois acordos assinados pelo Panamá e os Estados Unidos, um para ampliar a luta contra o narcotráfico, e outro para atender a ocorrência de desastres no canal, provocaram receio entre os panamenhos, que sentem que se estão abrindo as portas para uma possível presença militar americana no país."Os acordos são feitos em segredo, de costas para o povo panamenho", queixou-se, nesta quarta-feira, o advogado Carlos López Guevara, enquanto o legislador opositor Héctor Alemán disse que os acordos lhe parecem "suspeitos".Segundo o governo da presidente Mireya Moscoso, o tema da presença militar americana no istmo é coisa do passado. Os dois países assinaram no início deste ano um acordo que complementa um convênio marítimo de 1991 e permite que aviões americanos de alta tecnologia sobrevoem o território panamenho.Também dá luz verde para a perseguição de embarcações suspeitas de transportar drogas em águas panamenhas. O assessor de política exterior Marcel Salamín disse que esses aviões militares com radares não poderão aterrissar no país e que o Panamá deve ter "acesso total e irrestrito" às informações que eles recolherem.Mas forças opositoras, sobretudo do Partido Revolucionário Democrático (PRD), criticaram o governo panamenho, afirmando que ele não encaminhou o acordo para debate e aprovação pelo Legislativo. O PRD questionou juridicamente o pacto.Novos questionamentos surgiram depois de a Autoridade do Canal do Panamá assinar, na última segunda-feira, com os Estados Unidos, um convênio pelo qual a entidade pode pedir ajuda a Washington em caso de acidentes naturais ou provocados pelo homem na via marítima.A ajuda seria solicitada às agências americanas agrupadas na chamada Equipe de Resgate Nacional, na qual estão envolvidos o Serviço de Guarda Costeira, os departamentos de Estado e de Defesa e a Agência de Proteção Ambiental.O administrador do canal, Alberto Alemán Zubieta, esclareceu que o acordo não exigirá a presença permanente de pessoal americano, nem de um escritório no Panamá. Por sua vez, o encarregado de negócios da embaixada americana, Frederick Becker, disse que "os EUA continuam sendo o maior usuário do canal e vitalmente interessado em sua operação eficiente e segura".

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