Pancadaria em protesto na França

A manifestação organizada em Paris contra o Contrato Primeiro Emprego (CPE) nesta terça-feira terminou em enfrentamentos com a polícia, situação que se repetiu nas marchas em outras cidades como Rennes e Lille. Sancionada há poucos dias pelo presidente francês, Jaques Chirac, a nova lei permitirá que jovens com até 26 anos sejam despedidos sem o pagamento de indenizações durante os dois primeiros anos de trabalho. Na capital, os confrontos aconteceram ao fim da marcha, quando alguns jovens começaram a lançar garrafas, pedras e outros objetos nos agentes anti-distúrbios, que responderam usando gás lacrimogêneo e realizando várias prisões. Um cinegrafista ficou ferido ao ser atingido por um paralelepípedo no peito e um jovem teve de ser retirado pelos bombeiros depois sofrer um golpe, segundo os primeiros testemunhos obtidos na Praça da Itália, onde a concentração foi encerrada. Os responsáveis pela segurança, que haviam preparado um esquema com 4 mil policiais em Paris, advertiram que o maior risco estava nos grupos de jovens arruaceiros que se aproveitam da situação ao final das marchas. Segundo a polícia, 84 mil manifestantes participaram dos protestos em Paris. Ainda segundo a contagem das autoridades, nas outras 258 marchas registradas em todo o país, um total de 944.700 pessoas protestaram, cifra ligeiramente inferior à registrada na jornada anterior. O sindicato CGT, por sua vez, calculou mais de três milhões de pessoas nas manifestações, 700 mil apenas na capital, nível de participação similar aos dos protestos da semana passada. Com esta quinta jornada de mobilização, que, segundo o líder estudantil Bruno Julliard foi um "extraordinário sucesso", os opositores ao CPE sentem-se fortalecidos para o diálogo com parlamentares do partido conservador, UMP, para buscar uma solução para a crise.

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