Pedro Pardo/ AFP
Pedro Pardo/ AFP

Pandemia altera tradicional celebração do Dia das Mães no México

Festejos tradicionais, reuniões de famílias e protestos foram alterados pela emergência de saúde global

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2020 | 18h11

CIDADE DO MÉXICO - Com restaurantes e cemitérios fechados, mas com serenatas virtuais e "Las mañanitas" tocando nos alto-falantes de viaturas policiais e caminhões de lixo, o confinamento para conter a covid-19 transformou o Dia das Mães no México, uma celebração enraizada na sociedade e na cultura do país.

Tradicionalmente, cantinas e restaurantes são tomados por numerosas famílias que ocupam longas mesas, enquanto mariachis atendem a vários pedidos de serenatas, tanto nestes locais quanto nas ruas. No entanto, a agitação usual foi substituída, este ano, por uma rara calmaria.

Já nos dias anteriores, devido à suspensão das aulas, não foram realizadas as homenagens dos estudantes às mães. O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, optou por um tributo online em meio à pandemia, compartilhando um vídeo nas redes sociais. Sua esposa, Beatriz Gutiérrez, que o acompanha na gravação, fez um apelo para evitar contágios: "Se sua mãe estiver ausente, por favor, não a visite", disse.

O chamado para evitar reuniões familiares também foi reforçado no sábado, 9, pelo porta-voz do gerenciamento da crise sanitária, o subsecretário de Saúde, Hugo López-Gatell. "Por favor, cuide de mães e avós em particular, porque ainda vivemos momentos de risco máximo" de covid-19, disse.

Neste domingo, 10, a agenda López-Gatell incluia uma versão especial de sua coletiva de imprensa, na qual responderia exclusivamente às perguntas remotas das mães.

No entanto, como todos os dias 10 de maio no México, para muitas mães não há celebração, mas protesto. Protegidas com máscaras, cinquenta mulheres cujos filhos foram assassinados ou desapareceram em meio à violência criminal no país, marcharam pelas ruas exigindo justiça e a localização de seus familiares.

Enquanto isso, famílias confinadas aproveitavam algumas alternativas de celebração virtual. O festival "De corazón a corazón", produzido pelo governo da capital, apresentou recitais mariachi até a meia-noite, concertos pré-gravados de artistas e filmes alusivos à data.

Mais austero, o município de Nezahualcóyotl, no populoso Estado do México, tocou as tradicionais "Mañanitas" nos alto-falantes do sistema de alerta sísmico, das viaturas e caminhões de lixo para prestar homenagem às mães./ AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.