Pânico e violência seguem-se às enchentes no Haiti

Haitianos famintos, sedentos e desesperados atearam fogo a pneus e atacaram-se uns aos outros em uma onda de pânico para ter acesso às reservas escassas de água e comida do país caribenho. Trabalhadores lutam para sepultar centenas de corpos de vítimas da tempestade Jeanne. Há mais de 1100 mortos e 1250 pessoas estão desaparecidas. Os números ainda devem aumentar.Centenas forçaram passagem por uma barreira de madeira para formar uma aglomeração dentro da única clínica que ainda funciona em Gonaives, e onde só havia um médico nesta quinta-feira. Alguns moradores da favela de Carenge estão tão desesperados para se livrar dos cadáveres em putrefação que passaram a sepultá-los nos terrenos de suas casas. Médicos temem uma epidemia causada pelos mortos insepultos, carcaças de animais, esgotos a céu aberto e falta de água limpa. "Precisamos de máscaras cirúrgicas, água e comida", disse Franyz Bernier, que queimava pneus em protesto contra a falta de ajuda do governo. "Não temos nada".A distribuição limitada de comida e água por agências humanitárias deixa a maioria da população com fome e sede. "Não podemos beber a água em que pessoas morreram", queixa-se um morador. As agências têm estoques de alimento em Gonaives, mas poucos entre os desabrigados têm meios para cozinhar.

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