Chor Sokunthea/Reuters
Chor Sokunthea/Reuters

Pânico generalizado mata pelo menos 339 pessoas em festival no Camboja

Tragédia. Milhares de cambojanos acompanhavam o encerramento da principal festividade do país em uma ilha da capital, Phnom Penh, quando a multidão tentou forçar a passagem por uma ponte superlotada; autoridades calculam que há pelo menos 300 feridos

, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2010 | 00h00

PHNOM PENH

Pelo menos 339 pessoas morreram e 329 ficaram feridas ontem no Camboja após um tumulto generalizado durante um festival realizado em uma ilha fluvial na capital, Phnom Penh. De acordo com as autoridades locais, milhares de pessoas entraram em pânico quando forçaram a passagem por uma ponte sobre o Rio Tonle Sap. Muitas foram pisoteadas. Outras caíram na água e morreram afogadas.

Cerca de 2 milhões de pessoas foram a Phnom Penh para acompanhar os três dias do Festival da Água, a maior festividade do país, que marca o fim da estação chuvosa. Ontem, no encerramento do evento, uma multidão reuniu-se na Ilha do Diamante para acompanhar um show de música e a competição de barcos folclóricos.

A exata origem do problema ainda é incerta. Testemunhas disseram que a correria começou às 21h30 (12h30, em Brasília) após algumas pessoas serem eletrocutadas em uma pequena ponte que liga a ilha a Phnom Penh.

De acordo com o ministro do Interior do Camboja, Khieu Kanharith, a tragédia foi desencadeada por um grupo que tentou forçar a saída da ilha, pressionando a passagem pela ponte e causando um efeito dominó.

Desculpas oficiais. O primeiro-ministro cambojano, Hun Sen, foi obrigado a fazer dois pronunciamentos em rede nacional e se desculpou pelas mortes. "Esta é a maior tragédia do país desde o regime de Pol Pot", disse Hun Sen, em referência ao líder do Khmer Vermelho, cuja revolução teria matado cerca de 1,7 milhão de cambojanos nos anos 70.

O premiê descartou a possibilidade de que o acidente tenha sido uma ação terrorista, mas afirmou que o caso "precisa ser melhor investigado". No local, algumas horas depois, via-se os sinais da tragédia: corpos espalhados pelo chão, alguns boiando no rio, feridos esperando atendimento e restos de roupas e sapatos espalhados pela ponte.

A maioria dos mortos era de adolescentes. A televisão estatal, citando fontes de dois hospitais de Phnom Penh, disse que pelo menos 240 das vítimas eram mulheres. O Camboja é um dos países mais pobres do mundo e tem um dos piores sistemas de saúde da Ásia. A magnitude da tragédia foi ampliada porque seus hospitais não conseguem atender nem mesmo a demanda diária da população.

Ponto de encontro. A Ilha do Diamante pertence ao Banco Canadia, o principal do país, e conta com um centro de convenções, restaurantes e lojas, que foram recentemente inauguradas. O local, principalmente durante o Festival da Água, é frequentado por cambojanas, que são atraídas pelas liquidações especiais oferecidas nesta época do ano. / REUTERS e AP

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