Papa acompanha via-sacra no Coliseu

Nada poderia ser mais simbólico. Nafria e chuvosa noite de uma Roma cercada por um aparatoantiterror inédito, o papa João Paulo II recebeu a cruz de umajovem madrilenha - escolhida para demonstrar a solidariedade aos191 mortos dos atentados de 11 de março na Espanha - napenúltima etapa da procissão da via-crúcis, no Coliseu. Enquantoas autoridades prometiam redobrar a segurança no Vaticano nodomingo, quando o pontífice celebra a missa de Páscoa, aimprensa divulgava que serviços de inteligência já dispõem deindícios de que os explosivos a serem usados num supostoatentado planejado por extremistas islâmicos já estão naItália.João Paulo II, que fará 84 anos no mês que vem, chegoude automóvel ao Coliseu, por volta das 19 horas (21 horaslocais), e acompanhou a cerimônia num trono sobre rodas, que usapara se locomover desde que o mal de Parkinson se agravou aponto de impedi-lo de andar, há um ano. Segundo uma tradição medieval, a via-crúcis é divididaem 14 estações. Na 13.ª, que simboliza o caminho de Jesus para oGólgota e a crucifixação, a espanhola Raquel Rivera entregou aopontífice a cruz, de 3,5 quilos, que João Paulo II segurou com aajuda de assistentes. "Senti como se estivesse carregando todoo sofrimento de meu país e isso me deu uma grande paz", disse aviolonista Raquel, que mora em Roma.O papa iniciou o rito com uma prece, lida por umajudante. Nela, lembrou que este ano os cristãos do Ocidente edo Oriente realizam a Páscoa na mesma data. No final, João PauloII afirmou que a Sexta-Feira Santa é a demonstração do infinitoamor de Jesus pelos homens e deve permanecer na mente dos fiéiscomo a "hora do amor e da glória", como um "símbolo deesperança". Mencionou ainda "o sofrimento do filho de Deus, umsofrimento que, 20 séculos depois, continua a nos tocarintimamente".A programação da Semana Santa de João Paulo II prossegueamanhã com a celebração da Vigília Pascal e culmina no domingocom a missa de Páscoa na Praça de São Pedro, para a qual sãoesperadas 100 mil pessoas. O aparato de segurança neste dia seráainda mais ostensivo. Durante a cerimônia, haverá atiradores deelite espalhados pelos telhados ao redor da praça. Mil policiais,parte deles à paisana, vão circular entre a multidão,monitorada por câmeras de vídeo. Outros 5 mil policiais ficarãoencarregados do patrulhamento do lado externo das barreirasinstaladas ao redor da praça. Além desses, mais 17 mil soldadose policiais estão encarregados de vigiar outros possíveis alvosde atentado em todo o país.

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