Ismael Francisco/Cubadebate / AP
Ismael Francisco/Cubadebate / AP

Papa agradece acolhida do povo cubano e viaja para os EUA

Pontífice elogiou recepções nas três cidades e disse ter se sentido 'em casa'; Raúl esteve em todas as missas celebradas por Francisco

Felipe Corazza, enviado especial / Havana, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 14h14

HAVANA - O papa Francisco despediu-se nesta terça-feira, 22, de Cuba, após uma viagem de quatro dias que teve uma agenda intensa e consolidou o papel do pontífice como mediador da abertura da ilha ao mundo - em particular, na retomada da relação bilateral com os EUA. O avião de Francisco decolou às 13h30, no horário de Brasília, rumo a Washington, onde deve pousar por volta das 16h e ser recebido na base aérea de Andrews pelo presidente americano, Barack Obama. 

A última etapa da viagem pela ilha foi na cidade de Santiago de Cuba, onde o pontífice chegou no fim da tarde de segunda. Na manhã desta terça, o papa rezou uma missa no Santuário de Nossa Senhora do Cobre, padroeira do país. 

Durante a cerimônia, Francisco reforçou os pedidos para que o país busque "semear a reconciliação". Diante do presidente Raúl Castro, presente à celebração, o papa afirmou que "nossa revolução passa pela ternura". Francisco encerrou com um apelo: "Não se esqueçam de rezar por mim".

Após a missa, o pontífice foi à catedral da cidade para um encontro com sacerdotes e famílias. "Obrigado, cubanos, por me fazer sentir em família nesses dias todos. Por me fazer sentir em casa. Esse encontro é como a cereja do bolo". O pontífice acrescentou que era um prazer concluir a visita num encontro que exemplificou o "calor de gente que sabe acolher, que sabe nos fazer sentir em casa. Obrigado a todos os cubanos".

Visita. O pontífice chegou a Cuba no sábado e foi recebido com entusiasmo pela população e também pelo regime. O papel do Vaticano na mediação do acordo com os Estados Unidos foi lembrado em quase todas as cerimônias e encontros dos quais o pontífice participou.

Na capital, Havana, o papa rezou no domingo sua primeira missa em território cubano - na Praça da Revolução. Diante de dezenas de milhares de pessoas, Francisco aproveitou a celebração para sinalizar seu apoio a outra questão crucial no continente: o diálogo de paz entre o governo da Colômbia e as Farc, que ocorre em uma mesa de negociação estabelecida em Havana.

As palavras de Francisco - "não podemos nos permitir outro fracasso" na negociação de paz - receberam respostas de agradecimento e compromisso com o processo de paz do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e também das Farc. Ambos os lados enviaram saudações ao papa prometendo empenho para que a negociação tenha um fim satisfatório e leve à deposição de armas no conflito que já dura cinco décadas. 

Antes de chegar a Santiago, o papa fez uma escala em Holguín, cidade mais próxima da base naval americana de Guantánamo, onde também rezou uma missa. A devolução de Guantánamo, além da derrubada do embargo econômico, é uma das reivindicações ainda pendentes do regime cubano na negociação para normalização definitiva das relações com os EUA.

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