Papa apóia entrada da Turquia na UE, diz premier

Após uma reunião privativa com Bento XVI, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta terça-feira que o papa se disse favorável ao ingresso da Turquia na União Européia (UE). Está é a primeira visita do pontífice a um país de maioria muçulmana. Controversa, a declaração vai de encontro com um posicionamento assumido por Joseph Ratzinger em 2004, quando ainda era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Na ocasião, o religioso disse que era contrário ao ingresso da Turquia na UE por considerar o país pouco adaptado à cultura ocidental. Diante da fala de Erdogan, o Vaticano limitou-se a afirmar que vê como favoráveis os passos tomados pela Turquia para ingressar no bloco europeu. Erdogan cumprimentou Bento XVI após a chegada do papa à capital turca, na manhã desta terça-feira. Após as formalidades, as duas autoridades seguiram para uma conversa privativa em uma sala do aeroporto. A Turquia, cuja população é 99,8% muçulmana, pleiteia um lugar na UE. Após a reunião, Erdogan disse aos repórteres: "Eu disse ao papa: ´Peço por sua ajuda para que entremos na União Européia´, e ele respondeu: ´Você sabe que não somos políticos, mas esperamos que a Turquia entre na União Européia.´" Perguntado sobre a afirmação de Erdogan, uma autoridade do alto escalão do Vaticano disse apenas que o papado vê como favoráveis as medidas tomadas pela Turquia para atender às exigências de ingresso na UE. A autoridade, que falou em condição de anonimato, sublinhou que o Vaticano não é uma "entidade política". Em uma nota à imprensa, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, foi mais vago: "A Santa Sé não tem nem o poder, nem a tarefa política, de intervir na questão do ingresso da Turquia na União Européia. Não está no nosso escopo. Entretanto, o Vaticano vê como positivo e encoraja o caminho do diálogo e da integração da Europa sobre valores e princípios comuns." Contraste com a Europa Como cardeal, antes de tornar-se papa, Ratzinger disse que a Turquia representava uma cultura em "constante contraste com a Europa", e pediu por uma volta da Europa aos valores cristãos. Em uma coletiva de imprensa na manhã de terça-feira, um representante do Vaticano destacou que a declaração de Ratzinger é anterior à sua nomeação como papa. "Quando um homem se torna papa, de certa forma espera-se que suas visões pessoais fiquem em um segundo plano", disse o bispo Brian Farrell. A oposição à entrada da Turquia na UE alimentou críticas ao papa. Além disso, rejeição ao pontífice na país de maioria muçulmana deve-se em grande parte a um discurso proclamado por Bento XVI em uma universidade da Alemanha em setembro, quando ele citou um imperador cristão do século 14 que caracterizava os ensinamentos do profeta Maomé como "maus e inumanos". O país realizou mudanças econômicas e outras reformas em um esforço para ingressar na União Européia, mas disputas acerca da interferência turca no Chipre e outras questões ameaçam a campanha. Texto ampliado às 15h43

Agencia Estado,

28 Novembro 2006 | 14h45

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