Papa aponta conflito entre moral e ética médica

A ética médica está cada vez mais entrando em choque com a moralidade católica, disse o papa João Paulo II, que pediu respeito para com os médicos que se tornarem objetores de consciência. "Até há pouco tempo atrás, a ética médica em geral e a moralidade católica raramente entravam em desacordo", disse o pontífice a um grupo de ginecologistas e obstetras católicos. "Sem problemas de consciência, os doutores católicos em geral podiam oferecer a seus pacientes tudo o que era conquistado pelas ciências médicas". "Mas isto agora mudou profundamente", acrescentou o papa, que mencionou o caso das drogas anticonceptivas e abortivas, a produção de embriões como parte de fertilização "in vitro", o emprego de células-tronco embrionárias para criar tecidos com a finalidade de realizar transplantes e os projetos de clonagem, entre outros desenvolvimentos científicos que preocupam a Igreja. Em seu discurso, o pontífice considerou que "o conflito entre a pressão social e as demandas da consciência pode levar ao dilema entre abandonar a profissão médica ou comprometer suas próprias convicções". "Diante desta tensão, devemos lembrar que há um caminho intermediário que se abre para os trabalhadores católicos do setor de saúde fiéis à sua consciência", disse o papa. "É o caminho da objeção de consciência - que deve ser respeitado por todos, especialmente pelos legisladores".

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