Papa atrai brasileiros e americanos a celebração em Cuba

Papel de Francisco na retomada das relações entre Havana e Washington é elogiada por fiéis em missa

Felipe Corazza, Enviado Especial/Havana, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2015 | 05h00

O alcance da doutrina do papa Francisco e sua participação na retomada do diálogo entre Cuba e os EUA levou à Praça da Revolução, em Havana, o estudante de medicina brasileiro Paulo Ferreira, de 27 anos, que é evangélico. 

Explicando o motivo de participar com tanto entusiasmo de um culto católico, Ferreira atribui o ânimo às mudanças que o pontífice tem provocado no mundo. “Estou aqui hoje porque o papa demonstrou realmente ser um pacificador, está intermediando essa normalização das relações com os EUA e também liberação de presos políticos aqui em Cuba, então, a gente tem que prestigiar”, disse. 

Mineiro, Ferreira chegou à ilha há quatro anos para o curso médico. O jovem lembra o momento em que assistiu ao anúncio, feito em dezembro pelos presidentes Raúl Castro e Barack Obama, da retomada da relação bilateral. “Foi surreal. Estava almoçando, a TV parou a transmissão normal e apareceu o Raúl. A gente não entendia, porque aqui a informação é controlada e a gente não tinha a menor expectativa”, afirmou ao Estado.

Exibindo uma bandeira do Brasil com o distintivo do Cruzeiro Esporte Clube substituindo o círculo azul central, o irmão de Paulo, Lucas Ferreira, concorda. “Pra gente que está aqui, é um momento histórico, vai marcar tudo daqui pra frente. O pessoal tem se sentido muito animado, porque a questão da religiosidade aqui está voltando a ficar mais aflorada, a liberdade de culto”, afirmou. Também estudante de medicina em Havana, Lucas avisa que, apesar da afinidade com o pontífice, o Cruzeiro ainda terá sua torcida em qualquer confronto futuro como San Lorenzo, time do coração de Francisco.

Ponte aérea. Integrando uma delegação da Arquidiocese de Miami, a advogada americana Ann Quaranta viajou a Havana para comemorar a histórica reaproximação entre os dois países sob mediação de Francisco. “Não sou cubana, mas temos uma grande afinidade porque muitos deles vivem em Miami. Eles são muito calorosos e me sinto muito mal que não sejam totalmente livres, aqui, para praticar a religião. Mas está ocorrendo uma reaproximação e estou feliz com isso”, disse. 

A fiel contou que o anúncio da reaproximação a deixou “muito, muito feliz”, mas lembrou que ainda há caminho a percorrer. “Espero que também termine o embargo. O povo cubano merece isso e acho que vai acontecer”, afirmou.

A derrubada do bloqueio é a exigência mais firme do governo cubano no processo de negociação, mas depende de aprovação pelo Congresso, atualmente dominado pelos republicanos. Ainda assim, Ann mantém sua fé na queda do embargo. “Todas as coisas são possíveis com oração. É por isso que estamos aqui.”

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