Papa Bento XVI consagra 24 novos cardeais

Entre os novos cardeais está o arcebispo de Aparecida Dom Raymundo Damasceno Assis

AE-AP, Agência Estado

20 de novembro de 2010 | 09h31

O Papa Bento XVI consagrou, neste sábado, 24 novos cardeais em uma cerimônia marcada por ovações na Basílica de São Pedro, na Cidade do Vaticano, tornando os italianos a maioria no clube de elite que irá eventualmente eleger seu sucessor. Entre os novos cardeais está o arcebispo de Aparecida Dom Raymundo Damasceno Assis.

 

Brasileiro entra para clube de elite na Igreja que irá eventualmente eleger o sucessor do Papa (Foto: Tony Gentile/Reuters)

 

O Papa leu em latim cada um dos nomes dos "príncipes da Igreja", o que provocou fortes aplausos entre os assistentes e sorrisos dos novos cardeais. Com suas novas vestes vermelhas - um símbolo da vontade de dar o sangue pela Igreja - os cardeais entraram na basílica em uma procissão, enquanto eram saudados pelos assistentes e pela música de um órgão.

 

Durante a cerimônia, os novos cardeais prometerem obediência ao Papa. A principal tarefa dos cardeais é a de aconselhamento do pontífice. Com os novos integrantes, a Igreja Católica passa a ter agora 203 cardeais, sendo que 121 deles possuem idade inferior a 80 anos, o que lhes permite participar de um conclave para a escolha de um futuro papa. Dos 24 novos cardeais, vinte têm menos de 80 anos e poderão votar no conclave.

Além do arcebispo de Aparecida, há apenas mais um novo cardeal da América Latina, o equatoriano Raúl Eduardo Vela Chiriboga, arcebispo de Quito. O novo grupo de cardeais inclui chefes de congregações do Vaticano, arcebispos das principais cidades da Europa, Ásia e da América. Oito dos novos cardeais com direito a voto no conclave são italianos, o que amplia fortemente a presença de residentes da Itália no bloco, o que gera a especulação de que o pontífice pode, eventualmente, transferir a condução da Igreja Católica para um italiano, após um papa polonês e um alemão.

Bento XVI comentou as novas missões dos cardeais, afirmando que eles devem se devotar totalmente à Igreja e a Cristo. Na sua homilia, o Papa pediu àqueles que têm fé para que rezassem por eles: "Deixemos que o espírito do Lorde dê suporte de espírito aos novos cardeais em seu compromisso de servir à Igreja, seguindo Cristo na cruz mesmo se for necessário doar o sangue... sempre prontos para responder ao que forem chamados".

Durante a celebração, os novos cardeais prometeram obedecer ao Papa, lendo seus juramentos em latim para manter a comunhão com a Santa Sé, manter os segredos dados a eles e não divulgarem qualquer coisa que possa trazer danos à Igreja. Esta é a terceira vez que Bento XVI realiza um consistório para criação de novos cardeais.

 

Surpresa

 

A nomeação de d. Damasceno surpreendeu por ele ter sido o único brasileiro entre os 24 novos cardeais. Esperava-se que outros arcebispos fossem elevados a essa função, sendo o mais cotado o do Rio, d. Orani João Tempesta. A arquidiocese do Rio é considerada sede cardinalícia, como as de Salvador e São Paulo. Como sede cardinalícia não é instituição jurídica, mas tradição, pode ser que Aparecida esteja caminhando para esse status informal, de modo que seus arcebispos sejam sempre nomeados cardeais.

 

Outra hipótese é d. Damasceno ser transferido para outra arquidiocese, como Salvador, cujo arcebispo, d. Geraldo Majella Agnelo, apresentou sua renúncia por ter completado 75 anos. Nesse caso, o novo cardeal seria o primaz do Brasil, título dado ao ocupante da primeira jurisdição eclesiástica do País.

 

(Texto atualizado às 14h31)

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