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Papa Bento XVI fala que 'dividiu o sofrimento' com vítimas de pedofilia

Pontífice teria chorado durante encontro com as vítimas de abuso em Malta

ANSA

21 de abril de 2010 | 11h01

CIDADE DO VATICANO - O papa Bento XVI comentou nesta quarta-feira, 21, sobre o encontro mantido por ele durante visita a Malta com pessoas que foram abusadas sexualmente por religiosos católicos.

 

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"Dividi com eles o sofrimento e com emoção rezei com eles assegurando a ação da Igreja", declarou o Pontífice durante a audiência geral desta quarta-feira, a primeira desde a visita ao arquipélago mediterrâneo.

 

Segundo relatos, Bento XVI chorou ao se reunir com oito malteses molestados durante os anos 1980, quando moravam em um orfanato católico. Na ocasião, o chefe de Estado do Vaticano expressou "consternação", "vergonha e dor por aquilo que as vítimas e suas famílias sofreram".

 

"O amor de Deus é maior que qualquer tempestade ou naufrágio", assegurou o Papa, retomando um dos motivos de sua viagem ao país europeu, a celebração do 1950º aniversário do naufrágio de São Paulo na região. Segundo a tradição, o acidente teria ocorrido durante uma viagem a Roma.

 

Nos últimos dias, o Pontífice vem comparando os recentes escândalos de pedofilia que envolvem membros da Igreja Católica em diversos países ao mau tempo que fez o barco do apóstolo de Jesus Cristo afundar em Malta.

Bento XVI pediu aos fiéis que seguissem o exemplo de São Paulo, que "mesmo na violenta tempestade, manteve a confiança e esperança e soube transmiti-las a seus companheiros de viagem", e se dirigiu aos católicos malteses, que conseguiram exprimir neste momento difícil uma acolhida "verdadeiramente extraordinária".

 

Ainda durante a audiência geral, o Papa falou sobre imigração, um dos temas debatidos durante a visita a Malta. Segundo ele, a solução pra este problema deve ser buscada "com perseverança e tenacidade, coordenando as intervenções a nível internacional".

 

"A verdadeira vocação dos povos que acolhem e abraçam a mensagem cristã" impõe a procura de soluções eficazes, ressaltou. "Assim é bom que se faça em todas as nações que têm os valores cristãos nas raízes de suas Cartas Constitucionais e de suas culturas", acrescentou.

 

Ao final de seu pronunciamento, Bento XVI benzeu os restos de uma estátua de Nossa Senhora, vinda de uma catedral destruída com a bomba atômica lançada em agosto de 1945 sobre a cidade japonesa de Nagasaki. A relíquia será levada nos próximos dias a Guernica, na Espanha, onde há outra imagem semelhante, danificada durante a Guerra Civil Espanhola. Ambos objetos serão entregues à Organização das Nações Unidas (ONU), junto a uma mensagem de paz contra a proliferação das armas.

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