Papa Bento XVI inicia visita à Alemanha

O papa Bento XVI advertiu os alemães sobre o perigo de se ignorar a religião, no início de sua primeira visita de Estado à sua terra natal nesta quinta-feira. Bento XVI deve enfrentar grandes protestos contra sua visita, além do boicote de legisladores quando discursar no Parlamento ainda hoje, mas também deve ser recebido por multidões de fiéis católicos.

AE, Agência Estado

22 Setembro 2011 | 12h02

"Estamos testemunhando uma crescente indiferença à religião na sociedade", disse ele após uma cerimônia formal de boas-vindas no palácio de Bellevue, a residência oficial do presidente alemão, citando um importante tema de seu papado.

Ele afirmou que a religião é a fundação para uma sociedade de sucesso e disse que seus valores são essenciais para a liberdade.

O papa declarou que o palácio presidencial, que foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial, é um lembrete da história alemã. "Um claro olhar para o passado, mesmo para suas páginas mais negras, nos permite aprender e receber um impulso no presente", afirmou Bento XVI.

O pontífice, nascido na Baviera, foi recebido com tapete vermelho no aeroporto Tegel, em Berlim, pela chanceler Angela Merkel e pelo presidente Christian Wulff no início de sua visita de quatro dias ao país.

Merkel apresentou o papa aos membros de seu gabinete. Ele então saudou os membros da igreja católica alemã e as crianças que esperavam por ele com bandeiras do Vaticano. O papa recebeu um buquê de flores.

O papa deve falar no Parlamento mais tarde, onde cerca de 100 legisladores da oposição prometeram boicotar a visita do pontífice em protesto contra o que consideram uma violação da separação entre igreja e Estado na Alemanha. Cerca de 10 mil pessoas devem participar de uma manifestação do lado de fora do Parlamento.

Mais de 250 mil pessoas estão inscritas para participar das missas papais, muitas para a celebração ao ar livre na noite desta quinta-feira no Estádio Olímpico de Berlim.

As visões do Vaticano sobre contracepção, o papel da mulher, a homossexualidade e a forma como a igreja cuidou do escândalo de abusos sexuais contra crianças na Alemanha no ano passado são, na opinião de muitos alemães, desatualizadas e distantes da realidade. As informações são da Associated Press.

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