Papa celebra 25 anos do tratado de paz Argentina-Chile

O papa Bento XVI qualificou o "Tratado de Paz e Amizade" selado entre a Argentina e o Chile em 1984, após mediação do Vaticano, como um exemplo luminoso. "Após esses 25 anos, podemos constatar com satisfação que aquele evento histórico contribuiu, beneficamente, para reforçar os sentimentos de fraternidade dos dois países", comentou o pontífice, em discurso proferido em espanhol na presença das presidentes Michelle Bachelet, do Chile, e Cristina Fernández Kirchner, da Argentina.

AE-AP, Agencia Estado

28 Novembro 2009 | 15h35

Vestidas com o rigor do preto, as mandatárias ouviram a intervenção do papa na Sala Clementina do Palácio Apostólico do Vaticano, acompanhadas de suas respectivas delegações. Em 1978, quando eram governados por ditaduras militares, o Chile e a Argentina chegaram no limiar de uma guerra por causa de três ilhas do Canal de Beagle. O conflito foi contornado com a mediação do então papa João Paulo II, em 1984.

"Na realidade, o Chile e a Argentina não são apenas duas nações vizinhas, mas sim muito mais: são dois povos irmãos com uma vocação comum de fraternidade, respeito e amizade, que é fruto, principalmente, da tradição católica que está na base de sua história e de seu rico patrimônio cultural e espiritual", afirmou Bento XVI.

O pontífice destacou que "esse acontecimento que hoje comemoramos forma não só parte da grande história de duas nobres nações, mas também de toda a América Latina". Bento XVI considerou o tratado de amizade como "um exemplo luminoso da força do espírito humano e da vontade de paz frente à barbárie, à violência e à guerra como meio para resolução de diferenças". O papa insistiu para a necessidade de se "perseverar, em todo o momento, com vontade firme e até as últimas consequências, para a resolução das controvérsias e necessários compromissos, tendo sempre em vista as demandas justas e o interesse legítimo de todos". O papa observou ainda que a paz requer também a luta contra a pobreza e a corrupção, o acesso a uma educação de qualidade para todos, crescimento econômico solidário, a consolidação da democracia e a erradicação da violência e exploração, especialmente, das mulheres e crianças.

Após o discurso do pontífice, as presidentes Cristina e Michelle desceram para as grutas da Basílica de São Pedro para um momento de oração em frente à tumba de João Paulo II. Elas colocaram duas coroas de flores. Na sequência, visitaram os jardins do Vaticano e se dirigiram à Villa Pia, palco da assinatura do acordo de paz de 29 de novembro de 1984. Depois desferiram uma placa comemorativa ao aniversário de 25 anos do tratado.

As mandatárias foram recebidas no Vaticano pelo prefeito regional da Casa Pontifícia, o arcebispo James Harvey, e outros membros da igreja, que as acompanharam até Palácio Apostólico, onde se encontra a biblioteca privada. Bento XVI teve um encontro privado, separadamente, com as duas mandatárias, para analisarem temas bilaterais e internacionais. Elas também se encontraram separadamente com o secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Tarcisio Bertone.

O conflito entre os dois países em relação às ilhas Picton, Lennox e Nueva, no canal de Beagle, foi solucionado após as ilhas serem outorgadas ao Chile.

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