Papa celebra Missa da Última Ceia e ataca Judas

Em sua primeira Quinta-Feira Santa como papa, Bento XVI recuperou a tradição de celebrar a Missa da Última Ceia na Basílica de São João de Latrão, e de lavar os pés de 12 homens - nos últimos anos o ritual foi realizado na Basílica de São Pedro, devido ao frágil estado de saúde de João Paulo II. Ele também quebrou outro hábito estabelecido por seu sucessor: não escreveu a tradicional carta que costumava ser enviada a todos os sacerdotes do mundo. Em sua homilia sobre o amor de Deus pelo homem, o papa citou o apóstolo Judas Iscariotes como o exemplo do "homem imundo", para quem o dinheiro, o poder e o sucesso são mais importantes do que o amor. Evangelho de Judas Afirmando que o apóstolo não teve dúvidas ao vender Jesus, Bento XVI referiu-se indiretamente ao Evangelho de Judas, que, segundo estudos da National Geographic Society, divulgados na semana passada, é um documento autêntico. Pelo documento, Jesus teria pedido a Judas que o traísse, para que ele pudesse cumprir com sua missão de salvar a humanidade. "O que deixa o homem imundo?", perguntou, para responder em seguida: "a rejeição ao amor, o não querer ser amado e o não amar. É a soberba de acreditar que não precisa de purificação, a rejeição da vontade salvadora de Deus. Em Judas, vemos a natureza dessa negação com mais clareza. Ele valorizou Jesus segundo os critérios do poder e do sucesso". Bento XVI ressaltou aos fiéis que o gesto de Jesus foi o sinal de sua disposição de enfrentar a morte pela redenção dos homens, que deveriam imitar a sua humildade. Lavapés Durante a cerimônia, o papa cumpriu o ritual de lavar os pés de 12 pessoas. O ato, segundo Bento XVI, significa o perdão, o começar de novo, a aceitação mútua e a entrega. Por decisão do papa, o dinheiro recolhido durante a missa será destinado ao projeto de reconstrução de casas para as vítimas do desmoronamento de terra na região de Maasin, nas Filipinas. Amanhã, Bento XVI deverá celebrar a Paixão de Cristo, na Basílica de São Pedro. À noite, está prevista sua ida ao Coliseu de Roma, onde cristãos foram martirizados, para presidir a tradicional via-sacra. João Paulo II costumava ir à Basílica de São Pedro na Sexta-Feira Santa para ouvir a confissão dos fiéis, como os outros padres. Por enquanto, Bento XVI ainda não disse se vai manter a tradição.

Agencia Estado,

13 Abril 2006 | 19h23

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