(AP Photo/Ben Curtis)
(AP Photo/Ben Curtis)

Papa chega ao Quênia e pede luta contra a pobreza e o terrorismo

Durante a recepção do presidente queniano, o papa pediu aos líderes mundiais que se esforcem para promover modelos "responsáveis" de desenvolvimento econômico com o objetivo de enfrentar a "grave" crise ambiental

O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2015 | 15h32

(Atualizada às 17h02) NAIRÓBI - O papa Francisco convidou nesta quarta-feira, 25, dirigentes políticos e empresariais a lutarem contra "a pobreza e a frustração" mediante uma distribuição equitativa dos recursos. "A experiência mostra que a violência, os conflitos e o terrorismo se alimentam do medo, e que a desconfiança e o desespero nascem da pobreza e da frustração", afirmou o pontífice durante a recepção dada pelo presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, em sua residência.

O papa desembarcou hoje em Nairóbi em meio a extraordinárias medidas de segurança. O avião que o levava aterrissou no Aeroporto Jomo Kenyatta cerca de 20 minutos antes do previsto, por volta das 16h40 (11h40 horário de Brasília). Neste país, ele inicia sua primeira viagem à África, que além do Quênia inclui Uganda e a República Centro-Africana (RCA). A viagem é considerada de alto risco em razão dos conflitos e da ameaça terrorista do grupo jihadista Al-Shabab, o que o papa minimizou ao afirmar que a única coisa que o "preocupa são os mosquitos".

O pontífice foi recebido com cânticos tradicionais por uma delegação de representantes da Igreja queniana e do governo liderada pelo presidente, com quem se reuniu nesta tarde na residência presidencial. Jorge Mario Bergoglio seguiu a tradição queniana e assinou o Livro de Ouro dos visitantes do governo e, então, seguiu para um encontro privado com Kenyatta. Ao mesmo tempo, houve uma reunião bilateral entre as duas delegações.

Em seu discurso, ele fez referência à ameaça terrorista enfrentada pelo Quênia, onde o grupo jihadista somali Al-Shabab ataca com frequência em represália pelo envio de tropas quenianas para combater seus integrantes na Somália. Segundo o pontífice, "a luta contra estes inimigos da paz e da prosperidade deve ser feita por homens e mulheres que acreditam nela sem temor, e que dão testemunhos críveis dos grandes valores espirituais e políticos que inspiraram o nascimento da nação".

Francisco lembrou aos líderes políticos e empresários quenianos que "a promoção e preservação destes grandes valores é confiada a eles de um modo especial". "Esta é uma grande responsabilidade, uma verdadeira vocação a serviço de todo o povo do Quênia", acrescentou.

Clima. Durante a recepção do presidente queniano, o papa também pediu aos líderes mundiais que se esforcem para promover modelos "responsáveis" de desenvolvimento econômico com o objetivo de enfrentar a "grave" crise ambiental atual. "Os valores (da natureza) devem inspirar os esforços dos líderes nacionais para promover modelos responsáveis de desenvolvimento econômico", afirmou o pontífice. 

"A grave crise ambiental que nosso mundo enfrenta exige cada vez mais uma maior sensibilidade pela relação entre os seres humanos e a natureza", disse. "Temos a responsabilidade de transmitir às gerações futuras a beleza da natureza em sua integridade e a obrigação de administrar adequadamente os dons que recebemos."

Esses valores estão "profundamente arraigados na alma africana", connsiderou o papa, que elogiou os quenianos, "abençoados" pela beleza do país e pela abundância de recursos naturais, graças à cultura da conservação.

Segundo o papa Francisco, para construir uma ordem social "justa e equitativa" é necessário renovar a relação com a natureza, por isso, incentiva os líderes mundiais a buscarem alternativas econômicas que respeitem o meio ambiente.

No voo, o líder católico afirmou aos jornalistas que inicia essa viagem histórica ao continente africano "com alegria". Uma hora antes de aterrissar, Francisco publicou uma mensagem em seus perfis no Twitter: "Mungu abariki Quênia" (Deus abençoe o Quênia, em swahili). Um dispositivo de 10 mil agentes zela pela segurança de Francisco em Nairóbi, cidade que manterá suas principais avenidas fechadas durante a maior parte desta visita, que vai até sexta-feira. 

Além de visitar o Quênia, o pontífice irá para Uganda, ainda na sexta-feira, e para a RCA, no domingo. Francisco será o quarto líder católico na história a visitar o continente africano. Antes dele, Bento XVI foi aos Camarões e Angola (2009), João Paulo II visitou 42 países durante seu pontificado (1978 a 2005) e Paulo VI visitou Uganda em 1969. / ANSA e EFE 

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