Gregorio Borgia/EFE
Gregorio Borgia/EFE

Papa coloca 'condições claras' para mediar diálogo na Venezuela

O Vaticano não se reconhece como mediador do conflito entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição, mas como "patrocinador" do diálogo

O Estado de S. Paulo

29 Abril 2017 | 20h13

CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco assegurou que a Santa Sé está disposta a intervir diante da grave crise na Venezuela, mas com "condições claras", em declarações feitas neste sábado, 29. "Tem que ser com condições, condições muito claras", advertiu o papa, questionado sobre como a Santa Sé e ele pessoalmente poderiam ajudar a frear a onda de violência na Venezuela, que deixou até agora ao menos 30 mortos.

"Houve intervenção da Santa Sé sob um pedido forte de quatro presidentes que trabalhavam como patrocinadores. E não deu em nada. Ficou do jeito que estava. Não deu em nada porque as propostas não eram aceitas ou se diluíam", afirmou o papa.

O pontífice se referia às ações da Santa Sé a pedido dos ex-presidentes José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha), Leonel Fernández (República Dominicana), Martín Torrijos (Panamá) e Ernesto Samper (Colômbia) que não deram resultado em dezembro de 2016, ao tentarem entabular um diálogo entre a oposição e o governo de Nicolás Maduro.

"Todos sabemos sobre a difícil situação da Venezuela, um país que gosto muito", reconheceu o papa. "Sei que agora estão insistindo, não sei bem de onde, acredito que os quatro presidentes para relançar esse patrocínio e estão procurando um local. Eu acredito que tenha que ser com condições muito claras", afirmou.

A diplomacia do Vaticano não se reconhece como mediadora do conflito entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição, mas como uma "patrocinadora" do diálogo, segundo explicaram fontes locais.

As condições. No ano passado, o secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Pietro Parolin, número dois do Vaticano, que foi núncio apostólico na Venezuela, fixou uma série de condições após consultar as partes para poder lidar com o conflito.

Entre as condições destacam-se a fixação de um calendário eleitoral, a libertação dos opositores presos, a autorização de assistência de saúde internacional e a restituição das funções do Parlamento.

O papa argentino admitiu que alguns dos problemas para sua ação pacificadora são as divisões dentro da oposição venezuelana. "Parte da oposição não quer isso", disse. "É curioso, a oposição está dividida e os conflitos aumentam cada vez mais", afirmou. / AFP e EFE

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