Papa condena eutanásia e multidão critica Igreja em funeral

Cerca de 1.000 pessoas, algumas gritando "vergonha, vergonha, vergonha", participaram neste domingo em uma praça de Roma do funeral de um homem que não teve serviço religioso católico porque ele pediu para morrer. O Papa Bento XVI entrou no debate sobre a morte de Piergiorgio Welby, condenando a eutanásia e dizendo que a vida é sagrada até o seu "crepúsculo natural". Welby morreu na quarta-feira, depois de receber sedativos e ser desconectado do aparelho de respiração que o manteve vivo durante anos. Ele era vítima de distrofia muscular avançada. O funeral do homem de 60 anos, que defendia a eutanásia com eloqüência, foi realizado na frente da paróquia onde sua família, principalmente sua religiosa mãe, queriam fazer o serviço religioso. Alguns participantes gritaram "vergonha, vergonha, vergonha" para protestar contra a decisão da Igreja de negar-lhe um funeral religioso. O padre local era a favor de um serviço religioso, mas foi proibido pelo vicariato de Roma, o escritório do bispo, que afirmou que Welby repetiu muitas vezes seu desejo de morrer, o que é contra a doutrina católica. Muitas pessoas na Itália, incluindo alguns católicos, condenaram a decisão, que disseram ser insensível. Em discurso no Vaticano na Véspera de Natal, no momento em que o funeral estava terminando no outro lado de Roma, o Papa Bento XVI ressaltou a posição da Igreja sobre eutanásia. "O nascimento de Cristo nos ajuda a entender quanto valor tem a vida humana, a vida de cada ser humano, de seu primeiro instante até o seu por do sol natural", disse ele a peregrinos e turistas reunidos na Praça de São Pedro para ver sua bênção semanal. "Deixem-me morrer" Welby estava confinado à cama e se comunicava através de um computador que interpretava os movimentos dos seus olhos. Durante meses ele pediu para morrer. A multidão que participou do funeral aplaudiu os discursos das pessoas que apoiaram seu direito a morrer, inclusive sua mulher, Mina, e a ex-comissária Européia, Emma Bonino. O caixão foi levado para cremação. "A posição do Vaticano parece incompreensível e desprovida de misericórdia humana", disse Gavino Angius, senador do maior partido da coalizão de centro-esquerda. "Isso nos deixa perplexos. Estamos no Natal. Não acho que Jesus teria apreciado uma decisão como esta", disse ele a repórteres no funeral. Uma italiana disse que foi à missa na igreja do bairro antes do funeral e recusou-se a receber a comunhão, em protesto contra a decisão da Igreja. Ela foi ao funeral para demonstrar seu apoio a Welby. O médico Mario Riccio, que desligou o respirador depois de dar sedativos a Welby, disse à Reuters que rejeita ter feito eutanásia, que é ilegal na Itália e que poderia dar-lhe entre 10 a 15 anos de prisão. Um político pediu a prisão de Riccio por assassinato. Somente Suíça, Holanda, Bélgica e o Estado norte-americano de Oregon permitem o suicídio assistido para doentes terminais.

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