Papa condena Homem e culturas como "variáveis de mercado"

O homem e as culturas podem ser "esmagados" e reduzidos a mera "variável de mercado" pela globalização da economia e dos meios de comunicação, advertiu hoje o papa João Paulo II. Ao falar dos desafios históricos colocados pela globalização e que a Igreja deve enfrentar, João Paulo II exortou a que não sejam aceitas escalas de valores que derivam de critérios materialistas e consumistas. "Tem-se a impressão de que os complexos dinamismos suscitados pela globalização da economia e dos meios de comunicação tendem a reduzir o homem de forma progressiva a uma das variáveis do mercado, a uma mercadoria de troca, a um fator totalmente irrelevante nas opções mais decisivas", alertou o papa em palavras dirigidas aos membros das Academias Pontifícias no Vaticano. Desse modo, "o homem corre o risco de sentir-se esmagado pelos mecanismos de dimensões mundiais sem rosto e de perder cada vez mais sua identidade e sua dignidade de pessoa humana". Também as culturas, segundo o pontífice, "se não são recebidas e respeitadas em sua originalidade e riqueza e, sim, adaptadas por força das exigências de mercado e dos modismos, podem correr o sério perigo da homogeneização". João Paulo II convidou a enfrentar sem medo esses desafios, contando com a força do Espírito para "enfrentar com coragem e competência os múltiplos e complexos problemas de nosso tempo, para sustentar o humanismo no qual o homem possa voltar a encontrar a alegria de ser a imagem mais viva e mais bela do Criador".

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