Papa critica teorias ´obscuras´ sobre casamento gay

O papa Bento XVI veio a público na sexta-feira para criticar o reconhecimento legal de casais unidos informalmente e as "teorias obscuras" sobre o direito dos homossexuais de se casarem. Essas teorias, segundo o pontífice, privam os homens e as mulheres de sua identidade sexual inata. "Não posso esconder minha preocupação sobre os casais unidos informalmente", afirmou o papa em um comunicado de Natal feito ao clérigo de Roma. A Itália debate atualmente sobre se os casais informais e os casais gays devem ter direitos reconhecidos pela lei. Nos últimos meses, elevou-se o nível de tensão nas relações entre o Vaticano e os partidos de esquerda presentes na coalizão governista liderada pelo primeiro-ministro Romano Prodi, que prometeu conceder algum dito de reconhecimento oficial para os parceiros não casados. Políticos de centro-esquerda criticaram o Vaticano por vir a público atacar a iniciativa. Mas Bento XVI disse que a Igreja tinha o direito de se fazer ouvir. "Se eles dizem que a Igreja não deveria interferir nessas questões, então podemos responder apenas dessa forma: a humanidade não deveria nos interessar?", afirmou o papa. O líder da Igreja Católica disse que reconhecer legalmente os casais que vivem em concubinato significaria ameaçar o casamento tradicional, que requer um alto grau de comprometimento. Mas o papa reservou suas declarações mais duras para os que defendem a necessidade de colocar os casais formados por homossexuais no mesmo patamar dos casais formados por marido e mulher. "Isso dá valor às teorias sombrias que negam qualquer relevância à masculinidade ou à feminilidade dos seres humanos como se isso fosse uma questão puramente biológica", disse o papa. Teorias "segundo as quais alguém deveria ser capaz de decidir de forma autônoma sobre o que é ou o que não é" levarão a humanidade a destruir sua própria identidade, afirmou. Nesta semana, dois parlamentares da coalizão governista deixaram colegas de bancada indignados ao colocarem quatro bonecas representando casais homossexuais perto de uma figura de Jesus, no presépio montado no Parlamento italiano. Segundo os dois políticos, seu gesto tinha por objetivo chamar atenção para a necessidade de reconhecer oficialmente os casais que vivem em concubinato e de legalizar o casamento entre homossexuais.

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