EFE/Nicolás Aguilera
EFE/Nicolás Aguilera

Papa decide receber presidente da Argentina em 27 de fevereiro

Criticado por não felicitar Macri, vencedor de eleição que derrotou peronismo, Francisco verá seu conterrâneo no Vaticano

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2016 | 20h39

O papa Francisco receberá o presidente argentino, Mauricio Macri, no Vaticano na manhã do dia 27. Desde o segundo turno disputado no dia 22 de novembro, analistas políticos e fiéis argentinos lançam interpretações para o fato de o líder religioso não ter felicitado o ex-prefeito de Buenos Aires por ter chegado à Casa Rosada.

A inferência mais comum é de que o papa não ficou satisfeito com o resultado. Por sua origem popular e por ter permitido que Cristina Kirchner fosse fotografada a seu lado em várias ocasiões durante a campanha, mesmo os eleitores mais católicos de Macri acreditam que o pontífice se inclinava por Daniel Scioli, candidato da ex-presidente.

Desde a posse, em 10 de dezembro, a chanceler argentina, Susana Malcorra, é pressionada em entrevistas a explicar a aparente distância entre os dois chefes de Estado. A resposta da diplomata era que o encontro ocorreria “em breve” e não havia problemas.

“O papa, por protocolo, saúda apenas o governante italiano eleito. Francisco acredita no poder de transformação do povo e em estar perto dele. Nesse sentido, há alguma relação com o peronismo, mas não se pode dizer que ele é peronista”, afirmou ao Estado Francesca Ambrogetti, coautora da biografia oficial de Francisco, Jesuita. Militantes macristas argumentam que Bento 16 felicitou Barack Obama em sua reeleição e Francisco não segue protocolos, a menos que queira.

Durante os oito anos em foi prefeito de Buenos Aires, Macri teve com o então arcebispo Bergoglio uma relação cordial, mas distante. Reclamou pontualmente quando o governo municipal acatou, sem recorrer, decisões em que a Justiça permitiu o casamento homossexual e o aborto em casos especiais.

O encontro ocorrerá três dias antes de Macri fazer o discurso que abrirá os trabalhos no Congresso, dia 1.º de março, o governo traça metas e faz avaliações. O presidente usou até agora decretos que dependerão de avaliação de um Parlamento no qual sua coalizão está em minoria.

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