EFE/ Luca Zennaro
EFE/ Luca Zennaro

Papa discutirá ambiente e prostituição infantil na Amazônia peruana

No segundo dia de visita ao Peru, o pontífice argentino chegará a Puerto Maldonado, uma remota cidade de quase 100 mil habitantes

O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2018 | 13h29

LIMA - Danos ambientais, desmatamento, poluição dos rios e prostituição infantil marcam a visita do papa Francisco à Amazônia peruana, onde terá um encontro com povos originários que buscam sua ajuda na solução de seus problemas. No segundo dia de visita ao Peru, o pontífice argentino chegará a Puerto Maldonado, uma remota cidade de quase 100 mil habitantes, o último ponto urbano do país antes de adentrar a selva amazônica, perto das fronteiras com o Brasil e Bolívia.

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"Pela primeira vez, nesse povoado, se juntam todas as comunidades nativas de praticamente toda a América do Sul. É muito difícil tê-los todos reunidos, então é algo histórico", disse  José Trinidad, de 69 anos, sobre o encontro do papa com 3,5 mil indígenas peruanos, brasileiros e bolivianos. 

Francisco, um fervoroso defensor do pulmão verde do planeta, enfrentará reclamações das comunidades e de ambientalistas preocupados pela exploração selvagem dos recursos naturais, um dia depois de encerrar sua visita ao Chile tomada de controvérsia pelos abusos sexuais na Igreja e os conflitos indígenas. Em Puerto Maldonado, o papa representa uma esperança para as comunidades aborígenes de uma das zonas mais pobres do país, apesar de suas riquezas naturais.

A região é a capital da mineração ilegal no Peru, que gera US$ 1 bilhão por ano, mas não beneficia em nada os povos aborígenes nem ao erário peruano, que deixa de arrecadar US$ 350 milhões  em impostos anuais, segundo cifras oficiais. Por isso a comunidad Ese Eja Palma Real vai presentear Francisco com um arco e flecha para que ele os defenda e os ajude a recuperar terras ancestras despojadas pelos mineradores ilegais.

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"No sul do Peru, a atividade mineradora é o fator mais crítico do desmatamento", afirma Matt Finer, diretor do projeto Maap (controle dos Andes Amazônicos), formado por duas associações ecologistas, uma local e outra americana.

Graças aos satélites e os drones, Maap postou na internet em tempo quae real a destruição da Amazônia, que se acelerou em 2017 com um recorde de 20 mil hectares devastados, equivalentes a 28,5 mil campos de futebol. Além disso, os mineiros utilizam mercúrio para amalgamar o ouro, o que contamina rios e mata os peixes. A Amazônia, que cobre um terço do território peruano, é tão extensa e tão remota que não há presença do Estado, o que facilita os delitos.

Jesuítas

Em sua volta da Amazônia, durante a tarde desta sexta-feira, Francisco terá um encontro em Lima com sacerdotes jesuítas - sua congregação - e uma reunião com o presidente Pedro Pablo Kuczynski, que o recebeu na quinta à noite no aeroporto.

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A visita papal permite a Kuczynski esquecer, temporariamente, as críticas por seu questionado envolvimento com a brasileira Odebrecth, que quase provocou seu impeachment, e pelo indulto ao ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000).

No sábado, o Papa visitará a cidade nortenha de Trujillo, que há um ano sofreu sete inundações causadas pelo fenômeno de El Niño Costeiro, que deixaram 162 mortos e quase 300 mil deslocados. 

O papa deve falar sobre os riscos das mudanças climáticas. Francisco encerrará sua visita ao Peru no domingo com uma missa campal em uma base aérea de Lima, depois de um encontro com 5 mil  sacerdotes e freiras na Catedral, onde, além disso, hornará as relíquias de quatro santos peruanos. / AFP

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