Papa diz esperar que igreja ajude no processo de paz

O papa Bento XVI disse hoje que espera que a igreja católica possa desempenhar uma função no processo de paz do Oriente Médio. O papa inicia hoje sua visita de uma semana à região com uma escala na Jordânia, onde ele espera melhorar suas desgastadas relações com os muçulmanos. O papa também vai visitar Israel e os territórios palestinos. Bento XVI expressou esperança de que sua visita e o poder da Igreja Católica possam ajudar a promover esforços de paz entre israelenses e palestinos.

AE-AP, Agencia Estado

08 de maio de 2009 | 10h52

"Nós não somos um poder político mas um poder espiritual que pode contribuir", disse o papa no avião, antes de aterrissar em Amã, na Jordânia. Bento XVI foi recebido no aeroporto pelo rei Abdullah, pela rainha Rania e por líderes cristãos e muçulmanos. A estada de três dias de Bento XVI na Jordânia é sua primeira visita a um país árabe como papa. Ele deve se encontrar com líderes religiosos muçulmanos na maior mesquita de Amã.

O pontífice irritou muitos muçulmanos com um discurso em 2006 no qual citou um texto medieval que caracterizava alguns dos ensinamentos do profeta Maomé como "diabólicos e desumanos", particularmente "sua ordem para espalhar a fé pela espada". O papa já disse que está "profundamente arrependido" pela reação ao seu discurso e que a passagem que ele citou não reflete sua própria opinião. Mas seus comentários continuam a suscitar críticas de fiéis ao Islã.

A Irmandade Muçulmana afirmou hoje que seus membros vão boicotar a visita do papa porque ele não desculpou-se publicamente pelo episódio. O porta-voz da entidade, Jamil Abu-Bakr, disse que a falta de desculpas pública significa que "obstáculos e limites vão permanecer e ofuscar qualquer possibilidade de entendimento entre o papa e o mundo muçulmano".

A irmandade é o maior grupo de oposição jordaniano. Embora comande um pequeno bloco no Parlamento, exerce considerável influência, especialmente entre os jordanianos mais pobres. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, afirmou que foram feitos todos os esclarecimentos possíveis e disse que não se pode continuar, "até o fim do mundo, a repetir os mesmos esclarecimentos".

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