Papa diz que a corrupção e a ganância devastam o mundo

Bento XVI disse hoje que a corrupção e a ganância devastam o mundo, "que está lacerado e atormentado pela violência", e que cada vez que os cristãos se benzem e devem lembrar que não se pode combater a injustiça com outra injustiça, nem a violência com outra violência. "Os cristãos têm de lembrar que só se pode vencer o mal com o bem, e jamais fazendo mal pelo mal", disse o Pontífice. As declarações foram feitas na homilia da missa solene do Domingo de Ramos, celebrada na Praça de São Pedro do Vaticano, diante de dezenas de milhares de pessoas, entre elas milhares de jovens que participaram da XXI Jornada Mundial da Juventude. A cerimônia começou com a Procissão das Palmas, que percorreu a praça desde o obelisco até o altar maior. Entre galhos de palmeiras e de oliveira, Joseph Ratzinger comandou seu primeiro rito da Semana Santa como papa. Além disso, narrou a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e a Paixão de Cristo. Após ressaltar que há 20 anos, "graças a João Paulo II", o Domingo de Ramos se tornou o dia da juventude (Karol Wojtyla instituiu a Jornada Mundial da Juventude em 1984), o papa defendeu que a cruz seja "um instrumento de paz e reconciliação entre os povos". Depois, analisou a chegada de Jesus a Jerusalém, não em uma luxuosa carroça nem a cavalo "como os grandes do mundo", mas em um jumento, o animal dos camponeses, que lhe foi emprestado. O significado, disse o papa, é que Jesus quis ser "rei dos pobres, um pobre entre os pobres e para os pobres". O Bispo de Roma lembrou que pobreza se entende como humildade, liberdade interior, nada de ganância e menos desejos de poder, "já que é possível ser materialmente pobre e ter o coração cheio de afã de riqueza e do poder que deriva dela". "A liberdade interior é a premissa para que se possa superar a corrupção e a ganância que estão devastando o mundo", afirmou Bento XVI, que ensinou que essa liberdade só pode ser encontrada em Deus, que é a riqueza do homem. O papa disse ainda que a chegada de Jesus a Jerusalém demonstrou que seria um rei de paz. A cruz Na homilia em que a cruz despontou como protagonista, o papa falou que a pobreza, a paz e a universalidade estão resumidas nela. Ele também destacou que houve uma época, "ainda não inteiramente superada", em que o cristianismo era rejeitado devido à cruz. "Dizia-se que a cruz falava de sacrifício, que era sinal de negação da vida (...). No entanto, a cruz, é a verdadeira árvore da vida, é amor, é entrega de si próprio", garantiu. No final da cerimônia, um grupo de jovens alemães de Colônia - onde aconteceu a última jornada da juventude - entregou a cruz a jovens de Sydney, cidade australiana que organizará o próximo encontro em 2008.

Agencia Estado,

09 Abril 2006 | 11h30

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