Papa diz que capitalismo não é o único modelo para economia

Ele falou sobre os perigos de um "apego excessivo" ao dinheiro e bens materiais

EFE,

23 de setembro de 2007 | 14h50

Bento XVI disse neste domingo que o capitalismo não é o único modelo válido de organização econômica e que a questão da fome e da ecologia evidenciam que a lógica do lucro "aumenta a desproporção entre ricos e pobres e a terrível exploração do planeta". O Papa fez as declarações na reza do Ângelus na residência de Castelgandolfo, pouco após uma visita à localidade italiana de Velletri, onde refletiu sobre os perigos de um "apego excessivo" ao dinheiro, aos bens materiais e a tudo o que impede as pessoas de viverem com plenitude a vocação de amar Deus e os homens. A reflexão continuou durante o Ângelus, e o Bispo de Roma disse que o dinheiro "não é desonesto em si próprio", mas que se for valorizado mais que qualquer outra coisa "pode levar o homem a um egoísmo cego". Trata-se de usá-lo para o interesse dos pobres, como fez Cisto, em vez do interesse próprio, afirmou Bento XVI. O Pontífice falou que, em relação ao tema da riqueza e pobreza, confrontam-se duas lógicas econômicas, a do lucro e a da distribuição igualitária dos bens, e que elas não ficam em contradição se essa relação estiver "bem ordenada". Como é habitual, após a reza do Ângelus, o Papa cumprimentou os milhares de fiéis presentes, entre eles os de países latino-americanos, aos quais encorajou "a usar adequadamente" os bens terrenos e "humanizar" as estruturas econômicas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.