Papa diz se envergonhar sobre casos de abuso sexual

O papa Bento XVI disse hoje que está envergonhado pelos "horríveis" casos de abuso sexual de crianças por padres. Falando para cerca de 2 mil fiéis do Reino Unido durante uma missa na catedral de Westminster, o papa afirmou que está profundamente arrependido e que espera que a humilhação da igreja ajude as vítimas a melhorarem. Bento XVI também disse esperar que a igreja seja capaz de usar seu arrependimento para se purificar dos "pecados" dos seus padres e renovar seu compromisso com a educação dos jovens.

AE-AP, Agência Estado

18 de setembro de 2010 | 14h03

"Eu expresso meu profundo pesar pelas vítimas inocentes desse crimes horríveis, juntamente com a esperança de que o poder da graça de Cristo, seu sacrifício de reconciliação, ajudem elas a se curarem e terem paz em suas vidas", disse Bento XVI. O papa falou sobre os escândalos de abuso sexual durante a homilia, que foi transmitida ao vivo pela televisão britânica, um dia depois de seis pessoas serem presas acusadas de preparar um ataque terrorista contra ele. Os escândalos tem dominado a visita de Bento XVI pelo Reino Unido. Pesquisas indicam uma grande insatisfação no país com a forma do papa lidar com a crise.

A revolta contra os casos de abuso sexual no Reino Unido aumentou em parte por causa do enorme escândalo na vizinha Irlanda, onde relatórios do governo revelaram abusos sistemáticos de crianças em escolas católicas e o encobrimento por partes das autoridades da igreja. Vítimas de abuso e outras pessoas contrárias à visita do papa prepararam uma passeata para a tarde deste sábado no Hyde Park, no centro de Londres.

Chris Daly, porta-voz das vítimas de abuso escocesas, disse que as palavras do papa ajudaram, mas que as vítimas querem que medidas efetivas sejam tomadas. Elas cobram que as autoridades da igreja reconheçam suas falhas e o encobrimento do escândalo, e que as vítimas recebam apoio material. "Nós não precisamos de um papa que esteja triste com os crimes. Nós precisamos que um papa que vai evitar esses crimes", disse Peter Isely, da rede de sobreviventes de vítimas de padres.

Quando se preparava para viajar para o Reino Unido, o papa reconheceu que a igreja não agiu rápida e decisivamente para conter os abusos e prevenir que esses crimes voltassem a ocorrer.

Quem também assistiu a missa de hoje foi o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, recentemente convertido ao Catolicismo, e sua esposa Cherie. Antes, Bento XVI se encontrou com o atual primeiro-ministro, David Cameron, e ofereceu seu pesar pela morte do pai do político. Ainda neste sábado, o papa deve visitar um asilo para idosos e celebrar um evento no Hyde Park, em preparação para a beatificação do cardeal John Henry Newman, que acontece no domingo. Newman se converteu do anglicismo para o catolicismo no século XIX.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.