Papa elogia acordo de potências com o Irã

Em discurso de Páscoa, Francisco também lembra de massacre de cristãos no Quênia

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2015 | 02h03

O papa Francisco adotou um tom político em sua mensagem de Páscoa e elogiou o acordo nuclear entre o Irã e as principais potências do mundo. Falando a uma multidão na praça de São Pedro, no Vaticano, ele ainda expressou sua preocupação com Líbia, Iêmen, Síria, Iraque e com as recentes mortes de cristãos no Quênia.

O acordo com iranianos foi fechado na quinta-feira, na Suíça. O pacto estabelece um controle internacional sobre o programa atômico de Teerã, em troca do fim de sanções contra o país.

O acordo ecoou no Vaticano, onde o papa tenta dar uma nova dimensão à diplomacia da Santa Sé, principalmente no Oriente Médio. No discurso Urbi et Orbi de ontem, Francisco disse que o acordo é oportunidade para um mundo mais seguro. "Na esperança que damos ao Senhor sobre o acordo recentemente fechado em Lausanne, que ele seja um passo decisivo a uma mundo mais seguro e fraternal."

O papa também alertou para a proliferação de armas pelo mundo. "Pedimos paz para esse mundo sujeito a negociadores de armas, que ganham a vida com o sangue de homens e mulheres."

Durante um dos momentos mais importantes no calendário cristão, outro dos destaques do papa foi o conflito que envolve Síria e Iraque, considerado pelo Vaticano um dos epicentros de ameaça à paz mundial.

Francisco também fez questão ainda de denunciar um "banho de sangue absurdo" na Líbia, alertando para as rivalidades entre tribos e milícias. Ele também pediu que "um desejo comum pela paz" prevaleça no Iêmen, marcado pela guerra civil. O papa ainda citou Nigéria, Sudão, Congo, Israel, territórios palestinos e Ucrânia.

A mensagem do papa incluiu um alerta para as perseguições contra cristãos no mundo. Citando diretamente os estudantes massacrados na Universidade de Garissa, no Quênia, na quinta-feira, e sequestros em outras partes da África por islamistas radicais, ele pediu alívio do "sofrimento de tantos irmãos que são perseguidos em seu nome (do Cristianismo)".

"Que orações constantes venham de todas as pessoas de boa vontade para aqueles que perderam suas vidas - em particular dos jovens que foram mortos na quinta-feira passada na Universidade de Garissa."

Na sexta-feira, o papa já havia denunciado o "silêncio cúmplice" da comunidade internacional diante da morte de cristãos.

Em um gesto simbólico, Francisco batizou no sábado dez fiéis vindos de Quênia, Portugal, Camboja e Albânia - num esforço para pedir que "pessoas de boa fé de todo o mundo mantenham a chama da fé viva".

O pontífice também lembrou daqueles que sofrem com as drogas. "Paz e liberdade para as vítimas de traficantes de drogas, que são muitas vezes aliados com o poder que deveria defender a paz e a harmonia na família humana."

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