EFE/Alex Castro
EFE/Alex Castro

Papa elogia papel de centros de culto  informais em Cuba

Casas de missão ganharam força nos anos 70, durante a Revolução Cubana, com a ausência de igrejas e paróquias no interior do país

O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2015 | 16h42

HOLGUÍN, CUBA  - O papa Francisco elogiou nesta segunda-feira,21, o papel pastoral que as "casas de missão" - centro de cultos informais criados a partir dos anos 70 - desempenham em Cuba diante da escassez de templos e sacerdotes na ilha, durante sua homilia na Praça da Revolução Calixto Garcia, em Holguín, na segunda etapa de sua viagem ao país.

"Sei que com esforço e sacrifício a Igreja em Cuba trabalha para levar a todos, até nos lugares mais afastados, a palavra e a presença de Cristo. Uma menção especial merecem as chamadas 'casas de missão' que, perante a escassez de templos e de sacerdotes, permitem a tantas pessoas poder ter um espaço de oração, de escutar a Palavra, de ter acesso à catequese e de viver na comunidade. São pequenos sinais da presença de Deus em nossos bairros e uma ajuda cotidiana para fazer vivas as palavras do apóstolo Paulo: 'peço para que andem como pede a vocação à qual foram convocados'", disse o pontífice perante uma multidão que assistia ao ato.

Atualmente, existem 70 casas desse tipo em Holguín, cidade que também conta com 32 paróquias e 18 locais dedicados ao culto. "Sejam sempre humildes e amáveis, sejam compreensivos. Suportam-se mutuamente com amor, se esforçando para manter a unidade do Espírito com o vínculo da paz", disse o pontífice, citando as palavras do apóstolo.

As casas de missão são uma iniciativa evangelizadora que nasceu na década 70 e, embora não tenham sido valorizadas pelas autoridades de Cuba, nunca foram proibidas de existir. Em todo o país há atualmente 2.330. Esses lugares celebram batismos, mantêm comunidades estáveis e realizam celebrações sistemáticas, por isso foram considerados pela Conferência de Bispos Católicos de Cuba como "uma das maiores fortalezas da Igreja".

O bispo de Holguín, Emilio Aranguren Echeverría, agradeceu ao papa, dizendo que a visita obrigará a igreja local a favorecer a 'pastoral do encontro. Para o bispo, deve haver um esforço para propiciar "reencontros entre amigos, familiares, moradores e concidadãos, como gesto prévio que possa favorecer a necessária reconciliação".

O ato do papa em Holguín foi o primeiro na cidade cubana, a terceira maior do país, após sua chegada ao aeroporto, onde foi recebido por Aranguren e autoridades locais. Depois da missa, o papa deve comparecer à Loma de la Cruz, uma colina onde Francisco abençoará a população.

Posteriormente, para completar a terceira etapa de seu percurso em Cuba, o pontífice viajará para Santiago, onde logo após a chegada será reunida com os bispos da ilha. / EFE

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