Papa encerra viagem à AL com 2,5 milhões de mexicanos nas ruas

O papa João Paulo II deixou hoje o México, encerrando uma das viagens mais longas de seus 23 anos de pontificado, com uma emocionada despedida que levou às ruas da capital do país uma multidão de 2,5 milhões de pessoas. Apesar de sua saúde debilitada pelo mal de Parkinson e pela artrite, João Paulo, de 82 anos, conseguiu subir por si só as escadas do Boeing 767 que o levou ao Vaticano numa viagem de 12 horas. "Estou indo mas não me ausento, pois ainda que vá, meu coração fica", disse o pontífice, parafraseando uma canção popular mexicana e levando às lágrimas a comitiva liderada pelo presidente Vicente Fox, que o acompanhou até aeroporto. O giro que o papa empreendeu nesses últimos 11 dias (que ainda incluiu Canadá e Guatemala) o deixou visivelmente fatigado. Mas hoje ele estava fortalecido. Seu último compromisso público no México foi a beatificação dos indígenas Juan Bautista e Jacinto de los Angeles. Ambos foram linchados até a morte em 1700 por outros índigenas, após denunciarem aos freis dominicanos uma reunião de adoração a deuses pré-colombianos e paganismo. Muitos mexicanos consideram os dois delatores de seu povo. Para a Igreja, foram mártires da fé. A cerimônia de beatificação - um passo antes da canonização - foi realizada na Basílica de Guadapule, a mesma onde na véspera o papa convertia Juan Diego Cuauhtlatoatzin no primeiro santo índigena da Igreja. No início da celebração, uma mulher da etnia zapoteca o "purificou" seguindo ritual pré-colombiano, usando folhas medicinais e copal, um incenso típico mexicano. Durante a missa, foram lidas orações em sete línguas indígenas. Ao fundo, ouviam-se músicas regionais. A celebração reuniu 24 mil pessoas, dentro e nos arredores da basílica. Muitos consideram que essa tenha sido a última viagem do papa ao México e talvez à América Latina.

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