Papa enviará carta aos católicos chineses

Após dois dias de conversações sobre as relações entre o Vaticano e a China, o papa Bento XVI decidiu escrever uma carta aos católicos chineses, e a Igreja continuará tentando estabelecer laços diplomáticos com Pequim, a despeito do sofrimento imposto aos fiéis no país, informa a Santa Sé.O Vaticano pediu ainda ao governo comunista da China, em encontro realizado em Roma, neste sábado, que se engaje em um diálogo construtivo para aliviar a tensão e alcançar relações diplomáticas completas e uma vida normal com a Igreja Católica no país. A declaração foi um claro gesto de paz da Santa Sé para o governo comunista de Pequim, após meses de conflitos sobre a indicação de bispos. Importantes bispos chineses, incluindo o Cardal Joseph Zen de Hong Kong, um defensor da liberdade religiosa, debateram os problemas enfrentados pelos católicos na China - onde a Igreja subordinada ao Vaticano é considerada clandestina - com o secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Tarcisio Bertone.O papa não tomou parte nas conversações, mas foi informado a respeito, e decidiu "de forma benevolente, escrever uma carta aos católicos na China", de acordo com comunicado do Vaticano á imprensa. Vida fecunda O encontro conclamou por "uma normalização das relações em vários níveis, com o objetivo de permitir uma vida pacífica e fecunda na fé da Igreja e para trabalhar junto pelo bem do povo chinês e da paz mundial". Há cerca de 10 milhões de católicos na China, divididos entre uma igreja clandestina leal à Santa Sé e uma igreja aprovada pelo Estado que respeita o Papa como líder espiritual mas rejeita o efetivo controle papal. Pequim e Vaticano cortaram os laços após ascensão dos comunistas ao poder em 1949. Oficialmente atéia, a China não permite que o Vaticano indique bispos ou que os católicos reconheçam publicamente a autoridade do Papa. Nos anos recentes, as partes chegaram a um entendimento que normalmente permite aos potenciais bispos que busquem a aprovação do Vaticano antes de ascender na Igreja. No ano passado, porém, as relações se deterioraram mais uma vez quando a igreja apoiada pelo Estado chinês consagrou novos bispos sem a aprovação do Papa, o que o Vaticano chamou de "ato extremamente sério".

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