Giuseppe Lami/ EFA
Giuseppe Lami/ EFA

Papa evitará encontro com Farc durante visita à Colômbia

Em passagem por quatro cidades do país para promover acordo de paz, Francisco se concentrará em ouvir relatos de vítimas e ex-guerrilheiros

O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 19h04

CIDADE DO VATICANO - Em sua primeira visita à Colômbia depois do acordo de paz entre o governo do país e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o papa Francisco optou por não se reunir com membros da ex-guerrilha em encontros privados. O pontífice escutará os relatos de vítimas e dos que cometeram a violência na semana que vem.

“Será um dia muito especial, o dia dedicado à reconciliação e no qual estarão presentes vítimas da violência, ex-guerrilheiros e ex-milicianos”, informou o porta-voz do Vaticano, o americano Greg Burke, ao informar em uma entrevista coletiva sobre o programa de viagem do papa na Colômbia, de 6 a 10 de setembro.

Representantes da guerrilha pediram em carta um encontro com o pontífice. Segundo um dos líderes do grupo, Iván Márquez, o papa leu e respondeu o pedido com uma negativa.

A visita histórica de Francisco à Colômbia tem como objetivo impulsionar a paz e a reconciliação em um país profundamente dividido, apesar da assinatura do acordo de paz, que acabou com 50 anos de conflito. Em quatro dias, o papa visitará quatro cidades, além de se encontrar com vítimas e outros envolvidos no conflito interno, celebrará missas para multidões e fará discursos. 

Histórico.  A terceira visita de um pontífice à Colômbia – depois das de Paulo VI em 1968 e de João Paulo II em 1986 – será marcada por uma série de gestos, mais do que palavras, em prol da reconciliação. “É verdade que o papa chega a um país muito polarizado, mas sabe que todos os colombianos anseiam pela paz, uma paz com o espírito da solidariedade e da justiça. Uma paz possível somente se atacarem as causas da injustiça social, da desigualdade, da opressão”, disse o arcebispo colombiano Octavio Ruiz, da delegação que acompanha o pontífice.

A única viagem do papa argentino este ano à região inclui as emblemáticas cidades de Bogotá, Villavicencio, Medellín e Cartagena, onde falará sobre família, religião e reconciliação entre as pessoas e com a natureza, dois dos temas centrais de seu pontificado.

Com o lema “Demos o primeiro passo”, Francisco, que desde o início apoiou as negociações de Bogotá com o maior grupo guerrilheiro, deve propor aos colombianos romper com o passado de violência e confrontos, e se comprometer de forma ativa para construir a paz.

“Dar o primeiro passo significa reconhecer o sofrimento dos outros, perdoar os que nos feriram, voltarmos a nos ver como colombianos, entender a dor dos que sofreram, curar o nosso coração, descobrir o país que se esconde por trás das montanhas e construir um país em paz”, resumiu o sacerdote colombiano Fabio Suescún, responsável pelo comitê de preparação da visita papa AFP

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