Papa fará discurso histórico no Parlamento italiano

Há um século, as relações entre a Itália e o Vaticano eram tão tensas que os papas se negavam a reconhecer o recém-unificado país, e se declararam prisioneiros dentro do Vaticano. O papa João Paulo II, após os tratados assinados em 1929 entre a Santa Sé o governo italiano, dará um novo passo para resolver as divergências nesta quinta-feira, quando se tornará o primeiro pontífice a falar perante o Parlamento em Roma.Os italianos estão emocionados com o acontecimento, com os jornais locais especulando diariamente sobre o que o pontífice, nascido na Polônia, poderia dizer aos políticos da Itália. O ministério de Comunicações lançou um selo postal comemorativo que mostra a imagem do papa com o Senado e a Câmara de Deputados ao fundo, enquanto o Vaticano cunhou medalhas comemorativas que serão entregues aos legisladores. A visita, disse o semanário La Repubblica nesta semana, em um editorial, representa "a superação simbólica da tomada de Porta Pia", em uma referência à captura de Roma, em 1870, pelo Exército italiano, que representou o fim do mandato temporal do papa. Falta um anúncio por parte do Vaticano sobre o tema do discurso papal, mas se espera que ele se refira às questões que o pontífice vem abordando nos últimos anos: as tradições cristãs na Europa, a ética biológica, a paz, justiça e democracia. Os detidos em prisões italianas, enquanto isso, esperavam que Sua Santidade pedisse uma anistia geral, com fez durante uma missa especial celebrada em Roma por ocasião do jubileu de 2000. Até o século XIX, a Igreja tinha um mandato temporal sobre uma grande parte da Península Italiana, no que se conhecia como Estados pontifícios. Quando a Itália foi unificada em 1860, o novo Exército se apossou desses territórios, deixando somente Roma e algumas zonas costeiras, defendidas por tropas francesas, sob a autoridade papal. Mas tropas leais ao rei Vittorio Emmanuel anexaram Roma em 1870, declarando a cidade capital da Itália e pondo fim ao governo da Igreja.

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