Filippo Monteforte / AFP
Filippo Monteforte / AFP

Papa Francisco condena ‘com força as atrocidades’ cometidas por padres pedófilos nos EUA

‘Embora possamos dizer que a maioria dos casos pertence ao passado, podemos constatar que as feridas infligidas não desaparecerão nunca’, disse o pontífice em carta

O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2018 | 09h33

CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco condenou nesta segunda-feira, 20, "com força as atrocidades" cometidas por padres no Estado americano da Pensilvânia contra mais de 1 mil crianças, em uma carta dirigida ao "Povo de Deus".

"Nos últimos dias foi publicado um relatório que detalha a experiência de pelo menos 1 mil pessoas que foram vítimas de abusos sexuais, de abusos de poder e de consciência, cometidos por padres durante quase 70 anos", escreveu o pontífice no texto divulgado pelo Vaticano.

"Embora possamos dizer que a maioria dos casos pertence ao passado, podemos constatar que as feridas infligidas não desaparecerão nunca, o que nos obriga a condenar com força estas atrocidades", completou Francisco.

Na quinta-feira, o Vaticano já havia se manifestado sobre o caso e reagiu com "vergonha e dor" à investigação dos abusos sexuais praticados por mais de 300 padres na Pensilvânia.

"As vítimas devem saber que o papa está do seu lado. Aqueles que sofreram são sua prioridade, e a Igreja quer ouvi-los para erradicar esse trágico horror que destrói a vida dos inocentes", declarou a Santa Sé em um comunicado.

Escândalos

Não é a primeira vez que um júri popular publica um relatório revelando escândalos de pedofilia dentro da Igreja católica americana, mas nunca tantos casos haviam sido revelados de uma vez.

"Padres violentaram meninos e meninas, e os homens da Igreja que eram seus responsáveis não fizeram nada. Durante décadas", escreveram os membros do júri no relatório publicado na terça-feira.

O Vaticano reagiu afirmando levar "muito a sério" o relatório, mas lembrou que a maior parte dos casos mencionados é anterior ao começo dos anos 2000, quando a revelação de vários escândalos levou a Igreja americana e realizar "reformas".

Acredita-se que o relatório seja o mais abrangente até hoje sobre abusos cometidos dentro da Igreja americana desde o ano de 2002, quando o jornal The Boston Globe expôs pela primeira vez sacerdotes pedófilos em Massachusetts.

A investigação realizada pelo Grande Júri em quase todas as dioceses da Pensilvânia (exceto duas) levou dois anos e resultou em dezenas de testemunhos e 500 mil páginas de registros, contendo "alegações confiáveis contra mais de 300 padres predadores". Mais de mil menores vítimas destes abusos foram identificados, mas o "número real" estaria na casa "dos milhares", estimou o Grande Júri. / AFP

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