REUTERS/Guadalupe Pardo
REUTERS/Guadalupe Pardo

Papa Francisco evita mais uma vez visitar a Argentina

Desde que assumiu, Francisco já viajou a 27 países, 8 deles nas Américas, mas nunca voltou a sua terra, nem tem previsto um retorno

O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2018 | 16h32

Dezenas de milhares de argentinos cruzarão a fronteira para o Chile nesta semana para ver o papa Francisco, nascido em Buenos Aires, em sua passagem pelo território chileno. Depois de eleito para o pontificado, Jorge Mario Bergoglio já fez viagens apostólicas a 27 países – e ao território palestino –, mas nunca retornou à sua terra natal.

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Nas Américas, o papa já passou por Brasil, em 2013, Bolívia, Equador, Paraguai, Cuba e Estados Unidos, em 2015, México, em 2016, e Colômbia, em 2017. Após a visita ao Chile, onde Francisco chegará amanhã, ele visitará ainda o Peru, a partir de quinta-feira. 

Possivelmente apreensivo com um eventual envolvimento na volátil situação política da Argentina, Francisco não tem prevista nenhuma viagem para lá. Neste ano, ele deverá visitar ainda Irlanda e Romênia e, em 2019, tem agendada uma ida para o Panamá, para a Jornada Mundial da Juventude.

Questionado na quinta-feira sobre o motivo de Francisco ainda não ter visitado a Argentina como pontífice, o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, afirmou apenas que o papa vai sobrevoar o país a caminho do Chile e mandará sua tradicional mensagem para o chefe de Estado quando estiver a bordo. “Deverá ser um telegrama interessante”, disse o assessor.

Francisco já recebeu o presidente argentino, Mauricio Macri, no Vaticano. Mas, como o pontífice é crítico ao capitalismo global, alguns questionam sua afinidade com Macri, que é filho de algumas das mais abastadas famílias da Argentina.

O papa claramente desaprova governos que não combatem a desigualdade social e defendem “posições econômicas conservadoras”, ressaltou Daniel Menendez, secretário-geral do movimento social Bairros de Pé, com base em Buenos Aires, um dos 500 ativistas que planejam viajar para Temuco, na Patagônia chilena, para ver o pontífice argentino.

Macri afirma esperar que sua presidência seja julgada pela habilidade de seu governo em reduzir a taxa de pobreza na Argentina. Francisco também não é considerado próximo à oposição em seu país. Teve uma relação atribulada com a ex-presidente Cristina Kirchner, agora senadora, e com seu marido e antecessor na presidência, Néstor Kirchner, morto em 2010, que frequentemente dirigia palavras críticas à Igreja.

Apesar de posteriormente ter se mostrado próxima ao papa, em 2008, a relação de Cristina com o então arcebispo Bergolio azedou após o religioso manifestar simpatia ao locaute organizado pelos fazendeiros argentinos naquele ano – e também ficou tensa em 2010, quando o Congresso da Argentina aprovou o casamento gay, tornando o país o primeiro na América Latina a oficializar a união entre pessoas do mesmo sexo.

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Durante a ditadura militar argentina (1976-1983), quando cerca de 30 mil pessoas foram mortas em meio à repressão aos movimentos de esquerda, a reputação da Igreja foi maculada por provas de que importantes religiosos apoiaram o regime. Apesar dessas acusações não recaírem sobre Francisco, dois padres que foram sequestrados pelos militares o acusaram de não ter feito o suficiente para protegê-los quando foi líder dos jesuítas da Argentina, cargo que ocupou entre 1973 e 1979.

Antecipando um tráfego pesado de veículos nas sinuosas estradas que atravessam os Andes, a Argentina estenderá os períodos de abertura das fronteiras com o Chile e acionará reforços de funcionários para os postos de controle. “Estamos ansiosos pelo momento de recebermos a boa notícia do retorno do papa à Argentina”, afirmou Mariano García, coordenador nacional do Ministério da Juventude na Argentina. Ele estima que 40 mil pessoas cruzarão a fronteira para ver o papa. / REUTERS

 

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