Papa Francisco leva refugiados sírios em avião partindo da Grécia

Papa Francisco leva refugiados sírios em avião partindo da Grécia

Em visita a refugiados na ilha de Lesbos, pontífice pede que Europa respeite direitos humanos

Reuters, REUTERS

16 Abril 2016 | 09h59

Três famílias de refugiados sírios embarcaram o avião do papa Francisco voltando ao Vaticano neste sábado após sua visita relâmpago à ilha de Lesbos, na Grécia, na linha de frente da crise de refugiados europeia, disse uma testemunha da Reuters.

"O papa desejava fazer um gesto de boas vindas a respeito dos refugiados, acompanhando em seu avião a Roma três famílias de refugiados da Síria, 12 pessoas ao todo, incluindo seis crianças", disse comunicado divulgado pelo Vaticano.

VISITA 'HUMANITÁRIA'

O papa Francisco chegou neste sábado à ilha de Lesbos, na Grécia, para uma curta visita "humanitária" aos refugiados e para honrar o trabalho dos cidadãos gregos na gestão desta crise.

O avião do papa aterrissou no aeroporto de Mitilene, capital da ilha, às 10h05 (horário local, 4h05 em Brasília). O pontífice foi recebido pelo primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, e pelo patriarca ecumênico Bartolomeo, que lhe deram as boas-vindas.

Após desembarcar, o papa Francisco pediu que o continente europeu respeite e defenda os direitos humanos em meio à crise humanitária. "A preocupação das instituições e das pessoas, tanto aqui na Grécia como em outros países da Europa, é compreensível e legítima. No entanto, não devemos esquecer que os imigrantes, antes de números, são pessoas, são rostos, nomes, histórias", disse Francisco no porto de Mitilene, capital da ilha grega de Lesbos.

O papa fez estas declarações ao se reunir no porto com cidadãos e membros da comunidade católica da ilha. "A Europa é a pátria dos direitos humanos, e qualquer que colocar o pé em solo europeu deveria poder experimentá-los. Assim será mais ciente de ter, por sua vez, que respeitá-los e defendê-los. Infelizmente, alguns, entre eles muitas crianças, não conseguiram sequer chegar: perderam a vida no mar, vítimas de uma viagem desumana e submetidos às humilhações de carrascos infames", acrescentou.

O pontífice reafirmou seu "veemente apelo" à solidariedade frente ao drama dos refugiados que, disse, estão vivendo "em condições críticas, em um clima de ansiedade e de medo, às vezes de desespero, pelas dificuldades materiais e a incerteza do futuro".

Francisco mostrou "admiração" pelo povo grego que, apesar das graves dificuldades que tem que enfrentar, "soube manter aberto seu coração e suas portas".

"Muitas pessoas simples ofereceram o pouco que tinham para dividir com os que careciam de tudo. Deus recompensará esta generosidade, assim como a de outras nações vizinhas, que desde o primeiro momento acolheram com grande disponibilidade muitos emigrantes forçados", declarou o papa, que elogiou também o trabalho de todos os voluntários e associações que ajudam os refugiados.

Os habitantes de Lesbos "mostram que, nestas terras, berço da civilização, continua batendo o coração de uma humanidade que sabe reconhecer, acima de tudo, o irmão e a irmã, uma humanidade que quer construir pontes e rejeita a ilusão de levantar muros a fim de se sentir mais segura", declarou.

O papa voltou a pedir luta contra as causas da imigração e a "firme oposição à proliferação e ao tráfico de armas e suas tramas frequentemente oculta"/ Reuters e EFE

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