Alberto Pizzoli
Alberto Pizzoli

Papa Francisco negociou aproximação entre EUA e Cuba

Novas medidas ampliarão fluxo de pessoas entre os dois países e o comércio bilateral; presidentes tiveram conversa histórica e inédita

Claudia Trevisan , CORRRESPONDENTE / WASHINGTON

17 de dezembro de 2014 | 14h49

WASHINGTON -A reaproximação diplomática entre Estados Unidos e Cuba foi negociada pelo Canadá e o papa Francisco e inclui uma conversa inédita por telefone entre os presidentes Barack Obama e Raúl Castro. A série de mudanças e ampliarão o comércio e o fluxo de pessoas entre os dois países. Nos próximo meses, os americanos devem abrir uma embaixada em Havana, colocando fim a um período de cinco décadas sem presença oficial na ilha.

Ontem, os presidentes Barack Obama e Raúl Castro conversaram por telefone por quase uma hora, no primeiro contato do tipo entre líderes dos dois países desde a Revolução Cubana.

As negociações entre os dois países começaram em junho de 2013 e foram realizadas em uma sucessão de encontros no Vaticano e no Canadá. Segundo a Casa Branca, o papa Francisco teve papel crucial na reaproximação. Cuba foi o principal assunto discutido no encontro que o pontífice teve com Obama em maio. Pouco depois, o papa enviou carta aos presidentes dos dois países pedindo a normalização das relações.

Os anúncios de hoje não colocam fim ao embargo econômico dos EUA à Cuba, que só pode ser levantado por decisão do Congresso. Mas eles exploram todos os limites legais para ampliar os laços econômicos, diplomáticos e pessoais entre os países. "O presidente Obama está convencido que o embargo não funcionou", disse um assessor da Casa Branca. Segundo ele, apesar de haver apoio nos dois partidos à normalização das relações com Cuba, ainda existe considerável oposição entre os parlamentares.

Os anúncios de hoje incluem a autorização no uso de cartões de crédito e débito americanos em Cuba, a ampliação das autorizações de viagens de residentes nos EUA à ilha, a ampliação de US$ 500 para US$ 2.000 no valor de remessas trimestrais à ilha e o aumento no valor de exportações e importações entre os dois países. 

Entre as medidas mais importantes está o sinal verde para que empresas de telecomunicações americanas, incluindo de internet, operem em Cuba.

Gross foi condenado a 15 anos de prisão em 2011 por tentar criar uma rede de internet para a comunidade judaica em Cuba. O governo o acusou de "promover atividades desestabilizadoras e subverter a ordem constitucional."

 

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