REUTERS/Miraflores Palace/Handout via Reuters
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Papa Francisco pede diálogo político na Venezuela em carta enviada a Maduro

Carta foi entregue pelo secretário-geral da Unasul ao presidente chavista, que agradeceu ao pontífice pela benção

O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2016 | 10h31

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse na terça-feira que se reuniu em Caracas com o secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, e que recebeu dele uma carta enviada pelo papa Francisco, em que o pontífice expressa apoio ao diálogo político no país.

"Samper me entregou uma carta do papa Francisco. Agradeço ao papa pelas palavras que expresso nessa comunicação entregue pelo ex-presidente Samper. O papa se compromete com os diálogos de paz convocados pelo presidente Nicolás Maduro", disse o líder venezuelano, citando a si próprio.

Durante seu programa semanal de televisão, o presidente chavista agradeceu ao pontífice pela bênção e indicou que Samper estava na Venezuela para revisar a iniciativa de diálogo com os opositores sob a tutela da Unasul, a pedido do governo do país.

Samper também reiterou que estão ocorrendo importantes conversas na Venezuela nos últimos dias, diálogos que estavam sendo conduzidos pela comissão de mediadores internacionais liderada pelo ex-primeiro ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero.

"A proposta era que fossem conversas exploratórias e, por ideia da oposição, que fossem secretas. Esses diálogos necessários ocorreram porque quero a paz para a Venezuela, a tranquilidade, a reconciliação e a participação política, sem ameaças de ódio", declarou Maduro durante seu programa televisivo.

Desde maio, o governo venezuelano insiste em dialogar com a oposição, que afirma que não colocará na pauta o fim da convocação de um referendo para revogar o mandato do presidente. Além disso, os opositores impuseram como condições a mediação do Vaticano e a libertação de presos políticos.

Conversas. Mais tarde, Maduro confirmou que seu governo iniciou contatos com a oposição para estabelecer um diálogo sobre a crise no país, mas descartou o referendo revogatório exigido por seus adversários.

"Querem ressuscitar um morto e, mais cedo que tarde, o povo venezuelano e as leis venezuelanas terminarão de enterrar em paz a fraude que cometeram", disse o presidente, que reiterou denúncias do chavismo sobre supostas irregularidades na coleta de assinaturas organizada pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) como promotora da consulta.

Maduro indicou que, em encontros realizados na sexta-feira e sábado, foi estabelecida uma "rota de possíveis reuniões em setembro e outubro". 

Apesar de ter repetido o convite ao diálogo, Maduro acusou líderes opositores de violar acordos para manter a aproximação em sigilo e insistiu em denunciar planos para provocar a violência e propiciar um golpe de Estado. "Ratifico minha convocação ao diálogo, mas estas pessoas não têm palavra", afirmou o presidente, que prometeu atuar com "mão de ferro".

Em um comunicado, a MUD reconheceu os contatos, mas explicou que o objetivo é "explorar" o diálogo como via para celebrar o referendo revogatório ainda este ano. Ao mesmo tempo, a oposição ratificou a convocação de um protesto nacional na sexta-feira para exigir do Poder Eleitoral uma data e as condições para reunir as quatro milhões de assinaturas necessárias (20% do padrão eleitoral) para convocar a consulta. / EFE e AFP

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