Max Rossi/Reuters
Max Rossi/Reuters

Papa Francisco pede integração de imigrantes, apesar de temor 'legítimo'

Pontífice volta na segunda-feira, pela sexta vez, à América Latina, mas evita de novo país natal

O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2018 | 10h34

CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco classificou, neste domingo, 14, como pecado que imigrantes e moradores dos países que os recebem se recusem a se conhecer e se integrar por um medo que, ainda que 'legítimo', não deve alimentar o ódio e a rejeição.

"Não é fácil entrar na cultura que nos é alheia, pôr-nos no lugar de pessoas tão diferentes de nós, compreender seus pensamentos e suas experiências", declarou o pontífice em uma missa com refugiados realizada durante a Jornada Mundial dos Imigrantes.

Francisco disse que, perante esta dificuldade, "frequentemente renunciamos ao encontro com o outro e levantamos barreiras para defender-nos".

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"As comunidades locais, às vezes, temem que os recém-chegados perturbem a ordem estabelecida, 'roubem' algo que se construiu com tanto esforço. Mesmo os recém-chegados têm medos: temem a confrontação, o julgamento, a discriminação, o fracasso", destacou.

O papa reconheceu que estes medos "são legítimos" por estarem baseados em "dúvidas que são totalmente compreensíveis do ponto de vista humano".

No entanto, sustentou que duvidar "não é um pecado", mas sim permitir que "estes medos determinem nossas respostas, condicionem nossas escolhas, comprometam o respeito e a generosidade, alimentem o ódio e a rejeição".

"O pecado é renunciar ao encontro com o outro, com aquele que é diferente, com o próximo", completou.

Francisco pronunciou esta homilia durante uma missa na basílica de São Pedro na qual participaram imigrantes e refugiados de 49 países diferentes que levaram suas bandeiras, assim como 70 diplomatas credenciados na Santa Sé.

Perante eles, o papa insistiu na necessidade de entendimento entre os imigrantes e as sociedades que os recebem e ressaltou que ambas partes devem "acolher, conhecer e reconhecer".

Para os primeiros isto implica em "conhecer e respeitar as leis, a cultura e as tradições dos países que os acolheram", bem como "compreender os seus medos e as suas preocupações em relação ao futuro".

Os segundos, por sua parte, deveriam "abrir-se à riqueza da diversidade sem ideias pré-concebidas, compreender os potenciais, as esperanças dos recém-chegados, bem como a sua vulnerabilidade e os seus temores".

Na opinião do papa, o "verdadeiro encontro com o outro não se limita à acolhida", mas envolve as três ações que já destacou em agosto na sua mensagem prévia à jornada de hoje: "proteger, promover e integrar".

Por último, Francisco pediu uma "oração recíproca" entre refugiados e as comunidades locais. /EFE

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