Papa Francisco rejeita reunião com dalai-lama

Papa Francisco rejeita reunião com dalai-lama

Razão, segundo fontes do Vaticano, seria tensão com a China, que tolera a presença da Igreja Católica e ocupa o Tibete

O Estado de S. Paulo

12 de dezembro de 2014 | 17h30

CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco rejeitou uma audiência privada ao dalai-lama porque o encontro poderia afetar ainda mais as relações já complicadas da Santa Sé com a China, informou ontem o Vaticano. 

O pedido foi rechaçado “por razões óbvias, considerando a situação delicada” das relações com a China, disse um porta-voz do Vaticano. O líder espiritual do Tibete entendeu a situação, de acordo com a fonte.

O dalai-lama, que está em Roma para um evento que reúne os vencedores do Prêmio Nobel, disse que procurou o Vaticano para pedir o encontro, mas foi informado que não seria possível atendê-lo.


Tenzin Taklha, do escritório do dalai-lama, disse que “a resposta padrão de Sua Santidade foi a de que estava desapontado de não poder se reunir com Sua Santidade, o papa, mas que não queria causar qualquer inconveniência”.

A Igreja Católica na China é dividida em duas comunidades, uma Igreja oficial, conhecida como Associação Patriótica, que responde ao Partido Comunista (PC), e uma outra que jura obediência somente ao papa em Roma.

Uma autoridade do Vaticano, que pediu anonimato por não estar autorizado a discutir o assunto publicamente, disse que a decisão de recusar a audiência ao dalai-lama “não foi tomada por medo, mas para evitar o sofrimento dos que já estão sofrendo”, numa referência aos católicos na China que são leais ao papa.

O Vaticano disse que o papa não se reunirá com nenhum dos vencedores do Nobel e o número dois na hierarquia do Vaticano, o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, enviou uma mensagem a eles em nome do papa.

O último encontro entre o papa e o dalai-lama, que fugiu para a Índia depois de uma revolta fracassada contra o domínio chinês no Tibete em 1959, ocorreu em 2006, quando ele se reuniu com o papa emérito Bento 16. / REUTERS

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