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Papa Francisco retorna a Roma após visita intensa e emotiva ao México

Antes de deixar o México, Francisco denunciou ontem a "tragédia humana" das pessoas que são obrigadas a emigrar, "expulsas" de seus países "pela pobreza e pela violência", na missa que celebrou em Ciudad Juárez, na fronteira com os EUA

O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2016 | 09h09

CIUDAD JUÁREZ - O papa Francisco voltou para Roma na madrugada desta quinta-feira, 18, após deixar Ciudad Juárez, a última etapa de uma visita intensa e emotiva ao México, na qual abordou os problemas do país, desde o narcotráfico até o drama da migração.

O pontífice, visivelmente alegre, se despediu no Aeroporto Internacional Abraham González do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, de sua mulher, Angélica Rivera, e de cerca de 5 mil fiéis que compareceram à cerimônia para lhe dar o adeus.

O som dos mariachis voltou a estar presente, assim como ao longo de toda a visita, para dar o adeus ao líder da Igreja Católica, que se reuniu em particular com o presidente mexicano durante alguns minutos, antes de embarcar no avião da Aeroméxico, batizado de "Missionário de paz".

No tapete vermelho que levava à aeronave, Francisco foi abraçado por um grupo de crianças que lhe entregaram um cartaz que dizia: "Sua Santidade, nós mexicanos rezamos pelo senhor, que o senhor reze por nós".

Em seguida, uma fanfarra militar interpretou os hinos do México e da Santa Sé, e as comitivas oficiais se despediram.

Em meio à ovação de fiéis que sacudiam lenços brancos e cantavam "Francisco, irmão, você já é um mexicano" e à dança de um grupo folclórico, o papa partiu às 19h38 local (0h38 de Brasília da quinta-feira) na aeronave em que chegou a Roma esta manhã, procedente da capital mexicana.

"Senti-me amparado, acolhido pelo carinho, pela esperança desta grande família mexicana. Obrigado por abrirem as portas de suas vidas para mim", disse Francisco através do Twitter pouco antes de o avião decolar rumo ao Vaticano.

A presidência mexicana também utilizou essa rede social para enviar uma mensagem ao pontífice: "O México diz 'até breve' a Sua Santidade, o papa Francisco".

Em sua última missa no país, celebrada a poucos metros da fronteira com os Estados Unidos, Francisco disse hoje que viu "luzes" entre os mexicanos "que anunciam esperanças", e agradeceu aos que tornaram "possível esta peregrinação".

"A noite nos pode parecer enorme e muito escura, mas, nestes dias, pude constatar que neste povo existem muitas luzes que anunciam esperança", acrescentou o papa.

Durante sua visita ao México, na qual percorreu seis localidades em cinco dias, o papa argentino se reuniu com crianças, jovens, presos, indígenas, vítimas da violência, migrantes, trabalhadores, empresários, políticos e autoridades.

Fronteira. Antes de deixar o México, Francisco denunciou ontem a "tragédia humana" das pessoas que são obrigadas a emigrar, "expulsas" de seus países "pela pobreza e pela violência", na missa que celebrou em Ciudad Juárez.

Francisco celebrou a missa na área da antiga feira de Ciudad Juárez, a apenas 80 metros da fronteira com os Estados Unidos, a que muitos mexicanos e centro-americanos sonham em superar em busca de um futuro melhor.

Um cenário perfeito para lembrar que em outras partes dessa mesma fronteira se concentram milhares de migrantes da América Central e de outros países, sem se esquecer dos muitos mexicanos que também tentam atravessar "para o outro lado". A tragédia humana "que representa a migração forçada hoje em dia é um fenômeno global", afirmou o pontífice. 

No entanto, o papa disse que, ao invés de citar números, esta crise poderia ser medida "por nomes, por histórias, por famílias". "São irmãos e irmãs que deixam seus países, expulsos pela pobreza e pela violência, pelo narcotráfico e pelo crime organizado", afirmou Francisco.

Diante de cerca de 300 mil pessoas, o papa denunciou que "frente a tantos vazios legais, se estende uma rede que captura e destrói sempre os mais pobres" e entre eles os jovens, que "são 'bucha de canhão', são perseguidos e ameaçados quando tentam sair da espiral de violência e do inferno das drogas".

papa explicou que esses imigrantes se deparam em seu caminho com "terríveis injustiças: escravizados, sequestrados, extorquidos, muitos irmãos nossos são fruto do negócio do tráfico humano".

Em sua homilia, o pontífice insistiu que não se pode negar que nos encontramos diante de uma "crise humanitária que nos últimos anos se refletiu na migração de milhares de pessoas". "Seja por trem, por estrada e, inclusive, a pé, atravessando centenas de quilômetros por montanhas, desertos e caminhos inóspitos", descreveu Francisco. / EFE

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