Osservatore Romano/Handout via Reuters
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Papa Francisco visita campo de concentração nazista de Auschwitz

Pontífice fez o percurso pelo local em absoluto silêncio, parou para rezar em alguns locais e assinou o livro de Honra, em que pediu que o ‘Senhor tenha piedade de seu povo’

O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2016 | 08h34

AUSCHWITZ, POLÔNIA - O papa Francisco visitou nesta sexta-feira, 29, o campo de concentração nazista de Auschwitz e atravessou sua entrada sob a inscrição em ferro forjado "Arbeit macht frei" (“O trabalho liberta”) para começar seu percurso silencioso pelo lugar onde foram exterminadas mais de um milhão de pessoas.

Em sua chegada, às 9h19 locais (4h17 em Brasília), foi recebido pelo diretor do museu do campo e depois foi levado em um pequeno carro elétrico ao bloco 11, onde se encontram as celas subterrâneas que abrigavam os prisioneiros para que morressem de fome e sede.

Ele parou para rezar no pátio onde eram chamados os condenados à morte e onde o sacerdote polonês Maximiliano Kolbe se ofereceu para morrer em troca da vida de um pai de família. Francisco ficou por alguns minutos sentado com os olhos fechados e em profundo recolhimento e depois beijou um dos postes de madeira que serviam para as execuções.

O papa também visitou cela onde Kolbe - beatificado por Paulo VI em 1971 e canonizado por João Paulo II em 1982 - foi preso com o objetivo de morrer de fome e sede, para um momento de recolhimento, no dia em que celebra o 75º aniversário do gesto do sacerdote polonês.

O pontífice permaneceu no local sozinho, rezando durante aproximadamente dez minutos, em meio a uma leve penumbra, sentado em uma cadeira e cabisbaixo.

As únicas palavras dele no local foram escritas no livro de Honra, em que pede: “Senhor tenha piedade de seu povo. Senhor, perdão por tanta crueldade", em duas linhas, escritas em espanhol, com a assinatura de Francisco e a data.

Em frente ao muro da morte, onde as pessoas eram executadas, Francisco acendeu uma lâmpada a óleo para homenagear as vítimas, que ficou como um presente para o lugar.

Depois, ele seguiu para o campo de Birkenau, o "Auschwitz 2", construído a uns três quilômetros de distância para que Hitler realizasse a chamada "solução final", com a qual pretendia exterminar todos os judeus.

O papa também passou diante das lápides de mármore com inscrições nos 23 idiomas dos prisioneiros, onde colocou uma vela acesa.

Ele realizou a visita aos campos de extermíno em absoluto silêncio, exceto quando cumprimentou os sobreviventes, um grupo de 25 pessoas parentes dos chamados "Justos das nações", título concedido por sua ajuda aos judeus. / EFE

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