Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Papa indica secretário para acompanhar reforma do Banco do Vaticano

Objetivo do pontífice é dar mais transparência às contas da Santa Sé

O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2013 | 18h21

O papa Francisco delegou nesta quinta-feira, 28, a seu secretário pessoal, Alfred Xuareb, a tarefa de supervisionar o trabalho das comissões criadas neste ano para acompanhar a administração das finanças da Santa Sé e a reforma do Banco do Vaticano. A nomeação de seu assessor mais próximo confirma o desejo do pontífice de aumentar o controle sobre as ações para limpar a imagem da cúpula da Igreja Católica.

 

Segundo o comunicado do Vaticano, a missão de Xuareb será “vigiar as comissões e manter informado (o papa) em colaboração com a Secretaria de Estado sobre seus métodos de trabalho e possíveis iniciativas”. O porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, afirmou que o objetivo é facilitar a comunicação entre Francisco e as comissões à medida que os oito cardeais designados pelo papa concluem os trabalhos. Xuareb, de 55 anos, é monsenhor de Malta.

 

A medida, no entanto, parece criar um novo filtro entre o pontífice e as comissões, o que poderia colocar em dúvida a autonomia dos oito cardeais. Inicialmente a expectativa era de que o grupo se dirigisse diretamente ao líder da Igreja Católica. De acordo com Lombardi, o monsenhor Xuareb já havia assumido esse papel há um tempo, mas agora poderia exercê-lo de maneira efetiva.

Transparência. Desde que assumiu o posto em março, o papa Francisco tem tomado medidas para melhorar a imagem do Banco do Vaticano, abalado por escândalos de lavagem de dinheiro, revelados por investigações de fiscais italianos. Em junho ele criou uma comissão de estudo da instituição financeira, conhecida formalmente como Instituto para Obras da Religião, para ajudar no saneamento das contas do banco.

 

Além de um acordo firmado entre a Igreja Católica e  o governo da Itália para intercâmbio de informações financeiras, o Banco do Vaticano, na tentativa de ser mais transparente, começou a publicar seus balanços na internet. O pontífice cogitou até fechar a instituição caso não houvesse uma profunda reforma. Em julho ele ainda designou outra comissão para estudar as finanças da Santa Sé, introduzir mais transparência e reduzir os desperdícios.

 

Os problemas financeiros da cúpula da Igreja Católica vieram à tona no ano passado quando o principal mordomo do papa Bento XVI roubou cartas papais que logo apareceram em um livro, que teve enorme repercussão. Os documentos revelaram as conflitos entre os burocratas do Vaticano, denúncias de corrupção em contratos e descontrole nos gastos, como o uso de 550 mil euros para o presépio da Praça de São Pedro, no Vaticano. /AP e REUTERS

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