Papa insiste em fim de cerco à igreja de Belém

O papa João Paulo IIexortou hoje israelenses e palestinos a renunciarem àcampanha de "chantagens e acusações mútuas" para acabar com ocerco à Basílica da Navitidade, em Belém - onde aproximadamente200 palestinos armados estão cercados por tanques israelensesdesde o dia 2. A igreja foi erguida sobre a gruta onde, segundoa tradição cristã, nasceu Jesus Cristo. "Há imagens que têm mais força do que todos os chamados e nosimpulsionam a não poupar esforços para que essa terra, abençoadapor Deus, saia o antes possível da espiral de ódio e violência", declarou João Paulo II ante milhares de fiéis na Praça de SãoPedro. O papa pediu o fim do derramamento de sangue e arestituição imediata da basílica "à oração, aos pregrinos, aDeus e aos homens". A Rádio Israel informou hoje que cinco palestinos abandonarama igreja acenando bandeiras brancas e se entregaram aosisraelenses. Nenhum deles está na lista dos extremistasprocurados por Israel, que estão entre os homens entrincheiradosna basílica. Segundo os israelenses, esses suspeitos não passamde 30. Sobre a situação do campo de refugiados de Jenin - onde ospalestinos sustentam que a ofesniva israelense deixou mais de500 mortos -, o secretário de Estado americano, Colin Powell,declarou-se ontem "profundamente preocupado". "Nas últimas 24 horas, conversei quatro vezes com osubsecretário (William) Burns e estamos muito preocupados porquehá muitos moradores desesperados", disse Powell, anunciando queos EUA enviarão ao campo 800 barracas de campanha, equipamentocapaz de purificar água para 10 mil pessoas diariamente emilhares de medicamentos. Os Estados Unidos ajudaram a aprovar no sábado, no Conselho deSegurança da ONU, a constituição de uma equipe de investigadorespara verificar se houve massacre contra civis em Jenin. Equipesdas agências humanitárias resgataram cinco corpos em Jenin. O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, ordenou a seusministros que não mantenham contato com o enviado especial daONU, Terje Roed-Larsen, que denunciou possíveis excessos contraa população civil de Jenin.

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