Mark Wilson/Getty Images/AFP
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Papa Francisco lamenta falta de normas claras em apoio e integração de refugiados

Em mensagem publicada nesta quinta-feira pelo Vaticano, pontífice disse que depois de 'superada a fase de emergência', é preciso criar programas que 'considerem as causas das migrações'

O Estado de S. Paulo

01 Outubro 2015 | 11h53

CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco lamentou que imigrantes e refugiados não encontrem normas claras para seu apoio e integração nos países em que chegam, com as quais se respeitam os direitos e deveres de todos. Essas pessoas encontram uma "falta de normas claras, que possam ser postas em prática, que regulem o apoio e prevejam vias de integração a curto e longo prazo, com atenção aos direitos e aos deveres de todos", disse Francisco.

O Vaticano publicou nesta quinta-feira, 1, uma mensagem do papa intitulada "Emigrantes e refugiados nos interpelam. A resposta do Evangelho da misericórdia". Francisco lembra o aumento em todas as áreas do planeta do número de pessoas que devem deixar seus países por serem "vítimas da violência e da pobreza" e que "sofrem o ultraje dos traficantes de pessoas na viagem rumo ao sonho de um futuro melhor".

Nesta análise sobre o momento atual do drama da imigração o papa indicou que a principal questão que deve ser enfrentada após "a superação da fase de emergência" é dar espaço "a programas que considerem as causas das migrações".

"As histórias dramáticas de milhões de homens e mulheres interpelam a comunidade internacional, diante da aparição de inaceitáveis crises humanas em muitas regiões do mundo", afirmou. 

Por isso sua mensagem é um apelo à necessidade de "agir em profundidade e de maneira incisiva" nos países do qual saem os emigrantes e os refugiados

"É necessário evitar, possivelmente já em sua origem, a fuga dos refugiados e os êxodos provocados pela pobreza, pela violência e pela perseguição", ressaltou.

A mensagem do papa é também uma denúncia "à indiferença e ao silêncio" que assegurou "abrem o caminho à cumplicidade quanto vemos como espectadores aos mortos por asfixia, penúrias, violências e naufrágios".

O papa convidou à reflexão quando pergunta: "Não é talvez o desejo de cada um deles melhorar as próprias condições de vida e obter um honesto e legítimo bem-estar para compartilhar com as pessoas que amam?"

"Uma parte importante e indispensável é que a opinião pública seja informada de forma correta, para prevenir medos injustificados e especulações a custo dos migrantes", ressaltou Francisco.

Outro aspecto destacado pelo pontífice é o de como se preparar para as mudanças que estes fluxos migratórios inevitavelmente provocarão e sobretudo como defender "a identidade" de todos.

"Como fazer de modo que a integração seja uma experiência enriquecedora para ambos, que abra caminhos positivos para as comunidades e previna o risco da discriminação, do racismo, do nacionalismo extremo e da xenofobia?", perguntou o pontífice. / EFE

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