Papa leva América Latina ao foco do Vaticano

Mesmo sem trazer cardeais da região para a Cúria, Francisco leva questões importantes para a região ao centro das discussões da Igreja Católica

VATICANO, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2015 | 02h02

O papa Francisco chega amanhã ao Equador, em uma visita à América Latina que o levará também à Bolívia e ao Paraguai, com a região cada vez mais influente na visão da Igreja Católica sobre o mundo atual. Desde que substituiu o papa emérito Bento XVI, em 2013, Francisco tem levado à Cúria pautas sociais e ambientais próximas da realidade da região sem elevar o número de religiosos latino-americanos no Vaticano.

"Graças a Francisco, está se reconhecendo a criatividade das igrejas latino-americanas, que em alguns casos foi desenvolvida em excesso, mas também foi bastante positiva para toda a Igreja, pelo papel das comunidades de base, da religiosidade popular e a proximidade com os pobres", disse o vaticanista espanhol Antonio Pelayo.

Boa parte dessa abertura do Vaticano às questões dos países emergentes ocorreu graças à decisão de Francisco de receber militantes de direitos humanos, movimentos sociais e ambientais. Apesar da proximidade com temas latino-americanos, no entanto, o papa evitou mostrar uma predileção pela região, tanto nas viagens quanto nas nomeações.

Sua primeira visita como papa, no Brasil em 2013, já tinha sido marcada por Bento XVI. Desde então, o papa já visitou a Ásia duas vezes, e só retornará à sua Argentina natal no ano que vem. "Ele quer ser o papa de todo o mundo, não apenas da América Latina. Por isso demorou para visitá-la", disse Pelayo.

O papa tem uma equipe de colaboradores próximos argentinos, mas a maioria dos latino-americanos com cargos importantes na Cúria foram nomeados por seus antecessores. Quem conhece Francisco diz que ele tem horror a ser pressionado ou tachado de nepotista.

"Comparado ao pontificado de João Paulo II, a diferença é notável. Na ocasião chegaram vários poloneses a Roma", afirmou Pelayo. "Francisco não tem um lobby argentino em torno dele." Segundo Sergio Rubin, um dos biógrafos de Francisco, não se nota uma presença maior de latino-americanos no Vaticano.

O prelado mais importante nomeado por Francisco, no entanto, é hondurenho. Oscar Rodríguez Maradiaga coordena o grupo de nove cardeais encarregados da reforma da Cúria Romana. Leal a Francisco, o cardeal tem habilidade para transitar entre a modernidade e a tradição e se relaciona bem com setores mais conservadores do Vaticano. / AFP e EFE

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